CCJ aprova diretrizes de saúde para quem tem hipertensão pulmonar
Texto perdeu a natureza de política nacional e a equiparação da doença à condição de deficiência
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria diretrizes para a atenção integral à saúde de pessoas com hipertensão pulmonar. A votação ocorreu em 8 de setembro e encerra a passagem do texto pelas comissões da Casa.
A hipertensão pulmonar é uma doença rara e progressiva causada pelo aumento da pressão nas artérias dos pulmões. Falta de ar, cansaço excessivo e aceleração dos batimentos cardíacos estão entre os principais sintomas.
A relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), deu parecer favorável ao texto que já havia passado pela Comissão de Finanças e Tributação. Esse colegiado alterou o substitutivo da Comissão de Saúde ao Projeto de Lei 3076/24, do ex-deputado Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC), com o objetivo de evitar aumento de despesa pública.
O que mudou no texto
A proposta original criava uma política nacional. Com as alterações, ela passou a prever apenas diretrizes de atenção integral, com a definição operacional das ações remetida aos protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS).
- Saiu a criação de uma linha de cuidados específica no SUS, o que preserva a competência administrativa do Executivo.
- A classificação clínica da doença passa a ser definida pelo Executivo, e não pela lei.
- Foi retirada a equiparação da hipertensão pulmonar à condição de deficiência.
A retirada da equiparação foi justificada por dois motivos: a criação de despesa sem indicação de receita, apontada pela Comissão de Finanças, e a incompatibilidade com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
"O impedimento, isoladamente, não configura deficiência. Esta somente se caracteriza pela interação entre o impedimento e obstáculos externos, atitudinais, arquitetônicos, comunicacionais ou institucionais", afirmou a relatora.
Laura Carneiro lembrou que a convenção "superou o modelo médico que reduzia a deficiência a atributo biológico do indivíduo" em favor de um modelo relacional, que considera as barreiras enfrentadas pela pessoa.
Como o SUS trata a doença hoje
O tratamento da hipertensão arterial pulmonar é feito em centros de referência, com medicamentos de alto custo distribuídos pelo componente especializado da assistência farmacêutica. A rede também avalia a entrada de novas drogas: em agosto, uma consulta pública da Conitec analisou o sotatercepte para pacientes com a doença.
Pacientes do Distrito Federal com doenças raras são acompanhados na rede da Secretaria de Saúde, com encaminhamento a partir da atenção primária e regulação para os serviços especializados.
Na prática, a diferença entre os dois formatos é o grau de obrigação. Uma política nacional fixa estrutura, metas e responsabilidades em lei. Diretrizes funcionam como orientação geral, e a definição do que será ofertado fica a cargo dos protocolos clínicos do próprio SUS, revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde.
O projeto passou antes pela Comissão de Saúde, que aprovou um substitutivo, e pela Comissão de Finanças e Tributação, responsável por avaliar o impacto orçamentário. A CCJ analisou a constitucionalidade e a técnica legislativa do texto.
Próximos passos
A proposta tramitou em caráter conclusivo e pode seguir direto para o Senado, a menos que haja recurso para votação pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa ser aprovada pelas duas Casas e sancionada.