PCDF prende três de grupo que extorquia usuários de app no DF
Delegacia especializada aponta que o grupo atraía vítimas para grupos de mensagens e depois cobrava dinheiro sob ameaça de acusação falsa; uma mulher segue foragida
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três pessoas suspeitas de integrar um grupo que extorquia usuários de aplicativo de relacionamento. A operação foi cumprida na sexta-feira, 31 de julho, pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência, a Decrin, segundo informações publicadas pelo Correio Braziliense.
Foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Três investigados foram localizados: uma mulher de 45 anos, a filha dela, de 25, e um homem de 30. Uma quarta suspeita, de 31 anos, não foi encontrada e é considerada foragida.
Como o golpe era aplicado
A investigação aponta um roteiro repetido. As vítimas, contatadas a partir de aplicativo de relacionamento, recebiam convite para entrar em grupos de mensagens onde havia divulgação de conteúdo pornográfico. Ao tentar sair do grupo, passavam a receber ameaças.
Nas mensagens, os investigados afirmavam falsamente que a vítima estaria envolvida com pedofilia e exigiam pagamento para não levar a acusação adiante. O constrangimento pela exposição funcionava como alavanca da cobrança, mecanismo comum em crimes de sextorsão, em que o pagamento é obtido pelo medo do vazamento e não pela existência real de um fato.
Em uma das ocorrências que embasaram os mandados, a polícia confirmou prejuízo de R$ 2 mil pagos pela vítima. A apuração aponta registros semelhantes em outros estados, o que indica atuação que não se limitava ao Distrito Federal. Os suspeitos respondem em liberdade ou preventivamente até decisão judicial definitiva e são tratados como investigados enquanto não houver condenação transitada em julgado.
O que fazer se você for alvo
Especialistas em crimes cibernéticos e a própria orientação policial convergem em um ponto: pagar não encerra a cobrança. O pagamento sinaliza ao criminoso que a vítima é vulnerável e costuma ser seguido de nova exigência.
- não pague e não apague as conversas, que servem como prova
- salve prints com data, horário, número de telefone e perfil usado pelo autor
- bloqueie o contato e denuncie o perfil dentro do próprio aplicativo
- registre a ocorrência na Delegacia Eletrônica do DF ou presencialmente
- em caso de ameaça relacionada a orientação sexual, a Decrin é a unidade especializada
A Polícia Civil mantém ainda o Disque-Denúncia 197, que aceita informação anônima. A corporação não divulgou o nome da operação nem manifestação de delegado responsável até a publicação desta reportagem, e não informou se há outras vítimas identificadas no DF.
Um padrão que cresce no ambiente digital
Golpes que combinam aplicativo de relacionamento, grupo de mensagens e chantagem se apoiam menos em falha técnica e mais em engenharia social. Não é preciso invadir a conta de ninguém: basta obter um contato, criar situação constrangedora e sustentar a ameaça.
Vítimas desse tipo de crime costumam demorar a procurar a polícia justamente porque a acusação inventada envolve estigma. O silêncio, porém, favorece a continuidade do esquema, já que o mesmo roteiro é reaplicado a novos alvos enquanto ninguém formaliza a denúncia.