Seguranca

Justiça recebe denúncia contra sócios da Naskar por R$ 900 milhões

TJDFT acatou na sexta-feira (11) a denúncia da Prodecon contra quatro sócios; MPDFT aponta mais de 3 mil vítimas e esquema no formato Ponzi

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal recebeu, na sexta-feira (11), a denúncia da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor contra quatro sócios da empresa Naskar, investigados na Operação Quimera por um esquema que teria causado prejuízo de cerca de R$ 900 milhões a mais de 3 mil pessoas.

São denunciados Marcelo Liranço Arantes, Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Douglas Silva de Oliveira Azara. O recebimento da denúncia pelo TJDFT transforma a investigação em ação penal, etapa em que os acusados passam a responder formalmente ao processo. Nenhum deles foi condenado, e todos mantêm a presunção de inocência.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, entre 2024 e maio de 2026 os denunciados teriam constituído uma organização criminosa voltada à captação fraudulenta de recursos de investidores, à movimentação e retenção desses valores e à manutenção da aparência de legitimidade de uma operação financeira que já não se sustentava economicamente.

Como o dinheiro era captado

A apuração descreve uma operação apresentada ao investidor como carteira diversificada de ativos, com promessa de rentabilidade mensal, proteção do capital e alta liquidez. Para o MPDFT, as informações repassadas sobre existência, composição, titularidade, destinação e segurança dos investimentos eram falsas.

A captação era formalizada por contratos chamados de mútuo feneratício, mas divulgada de outra forma ao cliente:

  • oferta anunciada como investimento em CDBs e em operações no mercado de ações e opções;
  • rentabilidade líquida mensal prometida entre 1,5% e 2,2%;
  • aporte mínimo de R$ 30 mil, com rendimento maior para quem colocava mais dinheiro;
  • uso de várias empresas do grupo, entre elas a Naskar Gestão de Ativos, a Naskar Bank e a Naskar Instituição de Pagamento, além de outras pessoas jurídicas, contas bancárias e plataformas digitais.

A regra que escalonava o ganho pelo tamanho do aporte é apontada na denúncia como o mecanismo que estimulava a vítima a entregar mais economias e a reinvestir o que já havia aplicado.

O que os números mostram

Para o Ministério Público, desde 2025 as empresas do grupo já apresentavam déficit em relação aos recursos aportados pelos investidores, e ainda assim a operação seguiu, ampliando o rombo. Em abril de 2026, segundo a denúncia, o patrimônio líquido negativo passava de R$ 205 milhões, com disponibilidade imediata de pouco mais de R$ 9 milhões.

O funcionamento passou a ter as características de um esquema Ponzi, no qual o pagamento aos investidores antigos depende da entrada de dinheiro novo. A credibilidade vinha da própria trajetória do grupo, que atuava havia mais de uma década, mantinha endereços físicos em pontos de destaque e contratava corretores vindos de empresas regulares.

A entrada de Douglas Azara é tratada pelo MPDFT como uma nova fase do esquema. Na ocasião, a Naskar anunciou que havia sido adquirida por R$ 1,2 bilhão, e a operação foi apresentada aos investidores como a solução para o problema.

Procurado por meio das defesas já constituídas no caso, nenhum dos quatro denunciados havia se manifestado sobre o recebimento da denúncia até a publicação desta reportagem. O comunicado do MPDFT também não traz resposta da defesa. O DistritoNews publicou em agosto o que dizem as defesas dos investigados.

Com a ação penal instaurada, o processo segue para a fase de instrução, em que são ouvidas testemunhas e produzidas as provas antes da sentença.

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