PCDF faz 2ª fase da Operação Bafo contra golpe do álbum da Copa em SP e Curitiba
Investigação da 17ª DP, de Taguatinga, rastreou R$ 280 mil em ativos virtuais e 17 casos de pré-venda falsa de figurinhas
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a segunda fase da Operação Bafo, que apura golpes com sites falsos de venda de figurinhas e álbuns da Copa do Mundo de 2026. Os policiais da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) cumprem mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Mogi das Cruzes (SP), São Paulo (SP) e Curitiba (PR).
Segundo a PCDF, o caso reúne 17 ocorrências e o rastreamento de cerca de R$ 280 mil, convertidos em ativos virtuais em menos de dois meses. O Metrópoles divulgou os dados da nova fase (Metrópoles); o Jornal de Brasília havia noticiado a primeira fase em junho.
Como o golpe começou em Taguatinga
A investigação nasceu em fevereiro de 2026. Uma moradora de Taguatinga comprou por R$ 97 um kit de pré-venda do álbum da Copa numa página que imitava a loja oficial da Panini. Pagou por Pix e não recebeu nada. Ao procurar os canais da empresa, descobriu que a pré-venda nem tinha começado.
O prejuízo individual era pequeno, mas as diligências localizaram outras 16 ocorrências parecidas registradas neste ano. Para a polícia, o padrão indica um esquema com várias vítimas, montado em páginas fraudulentas divulgadas na internet.
O que a polícia encontrou no dinheiro
Os investigadores identificaram movimentações financeiras atípicas, com circulação de valores entre contas de pessoas físicas e de empresas. A PCDF também aponta indícios de mecanismos usados para dificultar o rastreio do dinheiro, segundo a corporação.
Nesta etapa, os mandados incluem medidas para acessar e extrair dados de celulares e outros aparelhos eventualmente apreendidos. O objetivo declarado é aprofundar a investigação e identificar outros integrantes do grupo.
A primeira fase foi deflagrada em 11 de junho, também pela 17ª DP, com apoio das polícias civis de São Paulo e do Paraná. Na ocasião, a polícia descreveu anúncios patrocinados em rede social que levavam a um site hospedado em servidor fora do país, com a identidade visual da editora do álbum. Os valores passavam por instituições de pagamento antes de chegar aos suspeitos. Houve buscas em endereços de São Paulo e Curitiba.
Os investigados poderão responder por estelionato mediante fraude eletrônica e por associação criminosa, sem prejuízo de outros crimes que surjam na apuração. Na primeira fase, a polícia também citou lavagem de dinheiro. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, e a polícia não informou quantas prisões temporárias foram cumpridas até a publicação desta matéria.
Não é o único caso recente de fraude com Pix e pagamento eletrônico investigado na capital. Em agosto, a Operação Reflexo, da 8ª DP (Estrutural), mirou fraude na venda de celulares com pagamento por Pix. Em outubro, a Operação Nêmesis apurou fraude em 400 cartões, com prejuízo de R$ 3 milhões.
Quem caiu em golpe de loja falsa pode registrar ocorrência na delegacia mais próxima ou pela delegacia eletrônica da PCDF, levando o comprovante do Pix e o endereço do site. Na primeira fase, a polícia disse buscar outras vítimas do esquema.