BID amplia para US$ 4 bilhões fundo de segurança anunciado em Brasília
Presidente do banco fez o anúncio na abertura da cúpula da Aliança para Segurança, Justiça e Desenvolvimento, no Ministério da Justiça
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ampliou de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões o mecanismo de financiamento em segurança destinado a países da América Latina e do Caribe. O anúncio foi feito pelo presidente do banco, Ilan Goldfajn, na abertura da cúpula da Aliança para Segurança, Justiça e Desenvolvimento, realizada no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.
Os recursos valem para o período de 2026 a 2028 e alcançam os 23 países membros do bloco e 14 parceiros estratégicos. A ampliação foi justificada pelo ritmo de adesão dos países: segundo Goldfajn, quase 60% das metas previstas para os três anos da iniciativa já foram alcançadas em apenas um ano.
O que o dinheiro pode financiar
O mecanismo não é de repasse direto a estados ou municípios. Ele opera por meio de operações de crédito e cooperação técnica contratadas pelos governos nacionais, com destinação definida em quatro linhas:
- capacidade de investigação de homicídios;
- fortalecimento da segurança prisional;
- combate financeiro a organizações criminosas;
- enfrentamento ao tráfico de armas, munições e explosivos.
O recorte de combate financeiro tem peso crescente nas agendas de segurança da região. A lógica é atacar a estrutura patrimonial das facções, com rastreamento de ativos e cooperação entre unidades de inteligência financeira, em vez de concentrar a resposta apenas em operações de rua.
A adesão rápida à iniciativa ajuda a explicar a decisão de elevar o teto. Com quase 60% das metas de três anos cumpridas no primeiro ano, o banco passou a operar com fila de projetos acima do previsto no desenho original do mecanismo, situação que costuma antecipar recomposição de recursos em fundos multilaterais.
Brasil assume a presidência do bloco
Durante a cúpula, Brasil e BID assinaram memorando de entendimento que prevê até R$ 5 bilhões para o programa Brasil contra o Crime Organizado. O país também assumiu a presidência temporária da Aliança pelos próximos 12 meses, o que coloca a agenda brasileira de segurança no centro das discussões do bloco no período.
O programa citado no memorando é a principal frente federal de enfrentamento a facções e concentra ações de inteligência, integração de bases de dados entre polícias e bloqueio de patrimônio de organizações criminosas. O valor previsto no documento é um teto, e não um repasse automático.
A escolha de Brasília como sede do encontro reforça o papel da capital como praça de negociação internacional em segurança pública. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, na Esplanada dos Ministérios, concentra as estruturas federais de coordenação com os estados, incluindo a Polícia Federal e a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Para o Distrito Federal, a definição de prioridades no âmbito da Aliança tem efeito prático: linhas voltadas a investigação de homicídios e a segurança prisional dialogam diretamente com demandas do sistema local, que opera com unidades acima da capacidade projetada e com equipes de investigação divididas entre delegacias circunscricionais e especializadas.
Os próximos passos dependem da negociação de cada operação com o banco. Projetos financiados por organismos multilaterais passam por análise técnica, aval do Tesouro Nacional e autorização do Senado quando envolvem endividamento externo, etapa que costuma levar meses entre a assinatura do memorando e o desembolso.