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Frei Orlando entra para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Capelão da Força Expedicionária Brasileira morto na Itália em 1945 passa a ter o nome inscrito no monumento da Praça dos Três Poderes

O capelão Frei Orlando, morto na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A Lei 15.483, que faz a inscrição, foi sancionada em 4 de agosto de 2026 e publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O livro é guardado no Panteão da Pátria Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

A norma nasceu do PL 1.076/2023, aprovado pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado, onde teve como relator o senador Flávio Arns (PSB-PR). Para o relator, a inclusão do capelão no rol de homenageados repara uma dívida antiga do país com quem serviu na Força Expedicionária Brasileira.

"A homenagem representa uma justiça histórica", afirmou o senador Flávio Arns (PSB-PR) ao defender o projeto.

Quem foi Frei Orlando

Frei Orlando nasceu Antônio Álvares da Silva, em 13 de fevereiro de 1913, no interior de Minas Gerais. Franciscano, foi nomeado capelão militar em 13 de julho de 1944 e passou a integrar o efetivo do 11º Regimento de Infantaria, o Regimento Tiradentes, que embarcou com a FEB para o teatro de operações na Itália.

Morreu em 20 de fevereiro de 1945, na véspera da conquista de Monte Castelo, uma das ações mais duras da campanha brasileira. Ele se deslocava para dar assistência a soldados da 6ª Companhia quando foi atingido por um disparo.

O nome dele batiza hoje o Serviço de Assistência Religiosa do Exército, do qual é patrono, e é lembrado em cerimônias anuais no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.

Como funciona o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

O livro é um registro simbólico mantido pelo Estado brasileiro. Cada inscrição exige lei específica aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República, o que faz de cada nome uma decisão política tomada em dois turnos de deliberação.

Não há benefício material associado. O efeito é de memória: o nome passa a constar de um documento oficial de reconhecimento nacional, exposto no Panteão.

Entre os nomes já inscritos estão figuras de períodos e origens muito distintas, de líderes de movimentos populares a militares e cientistas, o que explica por que cada novo projeto costuma abrir debate no plenário.

O Panteão fica em Brasília

O Panteão da Pátria Tancredo Neves é o prédio de concreto branco em formato de pomba que fecha a Praça dos Três Poderes, ao lado do Museu Nacional e em frente ao Palácio do Planalto. Foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1986.

O acesso é gratuito e o espaço abriga também o painel de Volpi e a Sala Nacional dos Mártires, com o painel de João Câmara sobre a Inconfidência Mineira. O local é ponto de parada do roteiro turístico do eixo monumental e recebe visitação de escolas ao longo do ano.

Para o morador de Brasília, o efeito prático da nova lei é esse: mais um nome no monumento que fica a poucos metros do Supremo, do Congresso e do Planalto.

A FEB e a memória da campanha

A Força Expedicionária Brasileira reuniu cerca de 25 mil combatentes enviados à Itália entre 1944 e 1945, no único envio de tropas brasileiras a um teatro de guerra fora do continente. Monte Castelo, onde Frei Orlando morreu, virou o símbolo da campanha por causa das tentativas sucessivas de tomada da posição alemã.

O capelão é uma figura pouco lembrada nesse conjunto. A função não é de combate: cabe a ele acompanhar a tropa na linha de frente, prestar assistência religiosa e assistir feridos e moribundos, o que o coloca sob o mesmo fogo dos soldados que atende.

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