Brasil

Demanda por passaporte no exterior cresce 26% e Itamaraty freia emissão

Consulados foram orientados a priorizar documentos essenciais e de emergência depois que os pedidos superaram a previsão orçamentária para a compra das cadernetas

O Ministério das Relações Exteriores orientou embaixadas e consulados a reduzir a emissão de passaportes para brasileiros no exterior. A limitação, comunicada em circular de 28 de julho, veio depois que a procura pelo documento superou a previsão de orçamento destinada à compra das cadernetas usadas na confecção.

Os números explicam o aperto. Foram 188,9 mil passaportes emitidos fora do país no primeiro semestre de 2026, alta de 26% em relação ao mesmo período de 2025. Só em julho, foram registradas mais de 33 mil solicitações, o maior volume em um único mês.

O que a circular determina

A orientação pede que os postos priorizem apenas documentos essenciais e de emergência e desacelerem o agendamento diário para renovações. Na prática, quem tem passaporte válido e quer antecipar a troca tende a esperar mais; quem perdeu o documento, teve furto ou precisa viajar com urgência continua no atendimento prioritário.

Em nota, o Itamaraty afirmou que a alta demanda superou significativamente a previsão orçamentária destinada à aquisição de material e que faz gestões para assegurar créditos orçamentários suplementares, necessários para garantir a regularidade dos serviços consulares até o fim do ano. O ministério não divulgou valores.

Uma curva de alta que vem de antes

A pressão sobre o estoque de cadernetas não começou neste ano. A série recente mostra crescimento em ritmo acelerado:

  • 2024: 195,6 mil passaportes emitidos no exterior;
  • 2025: 274,4 mil, alta de 40% sobre o ano anterior;
  • 1º semestre de 2026: 188,9 mil, alta de 26% sobre igual período de 2025;
  • julho de 2026: mais de 33 mil pedidos, recorde mensal.

Mantido o ritmo do primeiro semestre, 2026 fecharia acima do total de 2025 com folga. O documento emitido fora do país segue o mesmo padrão do emitido no Brasil, mas a produção depende de material enviado pela rede consular, e não da estrutura da Polícia Federal.

Quem sente primeiro

A restrição afeta principalmente comunidades brasileiras grandes, como as dos Estados Unidos, de Portugal e do Japão, onde os consulados concentram filas maiores e agendas fechadas com meses de antecedência. Para quem mora no exterior, o passaporte é documento de uso corrente: serve para renovar autorização de residência, abrir conta em banco e comprovar identidade.

Brasileiros que estão fora e precisam voltar ao país sem passaporte válido podem solicitar autorização de retorno ao Brasil no posto consular, documento de viagem de uso único que não substitui o passaporte para outras finalidades.

O que fazer se a viagem está próxima

Quem tem viagem marcada deve verificar a validade do documento com antecedência e, no caso de renovação, checar a agenda do posto consular da própria jurisdição. Em situações de urgência comprovada, os consulados mantêm atendimento fora da fila regular, com apresentação de documentação que comprove a necessidade.

No Brasil, a emissão segue pelo sistema da Polícia Federal e não foi alcançada pela circular. Em Brasília, o agendamento é feito pelo site da corporação, com atendimento nas unidades da Superintendência e nos postos do aeroporto e de shoppings conveniados.

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