KC-390 da FAB passam a combater incêndios no Amazonas, com 36 municípios em emergência
Avião lança 12 mil litros de água por voo; focos no estado subiram 271% nos dez primeiros dias de outubro
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Dois aviões KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) entraram em operação nesta segunda-feira (12) contra os incêndios florestais no Amazonas, estado onde 36 municípios estão em situação de emergência por causa das queimadas. Uma das aeronaves leva o sistema que lança 12 mil litros de água pressurizada em um único voo, e a FAB prevê três lançamentos por dia até a situação ser controlada.
O outro KC-390 funciona como cargueiro de apoio. A primeira decolagem saiu pela manhã, para um sobrevoo de reconhecimento dos focos e ajuste do equipamento. Na segunda saída, o avião foi reabastecido e fez o lançamento de água. O tenente-coronel aviador Daniel Souza, comandante do Esquadrão Zeus, disse à Agência Brasil que as equipes estão preparadas para operar sem interrupção e que a permanência no estado depende da demanda. "Viemos para cá sem saber quando voltaríamos. O foco é apagar os incêndios", afirmou.
O que mostram os números dos focos
Os dados que justificam o reforço são de outubro. O Painel do Fogo, do Censipam, contou 1.380 focos no Amazonas entre 1º e 10 de outubro de 2026, contra 372 no mesmo intervalo de 2025, uma alta de 271%. Pelo painel Queimadas, do Inpe, o estado registrou 540 focos novos em 48 horas, mais da metade dos 874 detectados em todo o mês de outubro do ano passado. Só no sábado (10) foram 494 novos focos, o maior número do mês até ali.

A página Painel do Clima, mantida pelo governo amazonense, soma 6.901 focos de 1º de outubro até domingo (11), 91,38% a mais que no mesmo período do ano passado. As regiões mais afetadas são o sul do estado, com 3.485 ocorrências, e a região metropolitana de Manaus, com 1.655. Os dois painéis medem coisas diferentes e por isso trazem totais distintos.
Fumaça em Manaus e aulas suspensas
A fumaça levou a Defesa Civil de Manaus a emitir alerta de risco à saúde na sexta-feira (9). Às primeiras horas da manhã, o material particulado fino (MP2,5) chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico, acima dos 160 que a classificação citada pela Agência Brasil trata como "péssimos". As aulas da rede municipal foram suspensas, assim como as atividades presenciais da Universidade Federal do Amazonas, da Universidade do Estado do Amazonas e do Instituto Federal do Amazonas na capital. A prefeitura também cancelou os eventos ao ar livre de domingo e segunda-feira.
A recomendação da prefeitura para grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com doença respiratória, é beber mais água, usar máscara PFF2 e evitar exercício físico.
Quem está no combate
A força-tarefa federal reúne 11 aeronaves, entre elas os dois KC-390, quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros do Ibama. Há 290 brigadistas federais em campo, e a Força Nacional do SUS foi deslocada para atender a população atingida pela fumaça. São Paulo enviou 30 profissionais, 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil. O Ibama informou que 229 incêndios foram extintos desde o início do período crítico e que 20 focos seguem ativos.
O apoio federal só foi formalizado depois que o governador Roberto Cidade decretou a emergência nos 36 municípios. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu a situação em caráter sumário no sábado, com publicação no Diário Oficial da União. O ministro Waldez Góes disse que o reconhecimento saiu no mesmo dia do decreto.
Origem do fogo ainda é disputada
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou a região no domingo e avaliou que os focos resultam de ação humana intencional, já que não há fogo espontâneo no bioma amazônico. Segundo ele, a hipótese é de queima para degradar a floresta e preparar o terreno para desmatamento futuro. O painel do Censipam classificou 174 dos 1.380 focos do período como ligados ao desmatamento e, para os demais, os dados consultados não indicavam causa identificada. Já o governo do Amazonas relaciona a onda de queimadas ao El Niño. O governador Roberto Cidade afirmou que a fumaça que cobre parte do estado também vem de queimadas em outras unidades da Federação.
E o Distrito Federal com isso?
O DF está longe da floresta, mas atravessa a mesma estação seca. Na sexta-feira (9), um incêndio em área de Cerrado no Centro Olímpico da UnB, na Asa Norte, mobilizou cerca de 40 profissionais do Corpo de Bombeiros e do Ibama por mais de duas horas. O Distrito News acompanha o alerta de um El Niño muito forte para a primavera e o verão e o aviso de baixa umidade do Inmet para o feriado no DF.