Queda de helicóptero mata o cantor Rick e mais quatro na Serra Catarinense; Cenipa investiga
Aeronave PP-MGR saiu de Porto Belo para São Joaquim e foi achada pela FAB. Veja quem investiga e por que o laudo do Cenipa não aponta culpado.
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O helicóptero que levava o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, foi localizado na Serra Catarinense nesta terça-feira (22), com as cinco pessoas que estavam a bordo mortas. A aeronave, de matrícula PP-MGR, havia saído de Porto Belo na tarde de segunda-feira (21) com destino a São Joaquim.
Além do cantor, estavam no voo o piloto, o copiloto, o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares. O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina informou que não há sobreviventes e trabalhava na retirada dos corpos para a perícia da Polícia Científica.
A localização veio depois de 13 horas de sobrevoos da Força Aérea Brasileira, que direcionou um helicóptero ao ponto onde a aeronave foi encontrada. As informações são da Agência Brasil.
Quem investiga a queda, e o que o Cenipa apura
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa, abriu investigação no mesmo dia. A condução ficou com o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Seripa V, sediado em Canoas, no Rio Grande do Sul.
O órgão informou que está na chamada ação inicial: coleta de dados na área da ocorrência, inspeção dos danos da aeronave e identificação dos fatores que contribuíram para o acidente. Sobre prazo, o Cenipa disse apenas que os trabalhos serão concluídos no menor tempo possível, a depender da complexidade dos levantamentos no local.

Por que o relatório do Cenipa não vai apontar um culpado
Essa é a parte que costuma gerar confusão a cada acidente aéreo no país, e ela está escrita em lei. O Código Brasileiro de Aeronáutica ganhou, em 2014, uma seção inteira sobre a investigação do Sipaer, o sistema do qual o Cenipa é a autoridade.
O artigo 88-A diz que a investigação existe para identificar atos, condições ou circunstâncias que representem risco a pessoas e aeronaves, e faz isso unicamente em proveito da prevenção de novos acidentes. O vocabulário do relatório é o de fator contribuinte, não o de responsabilidade.
O artigo 88-I vai além: as análises e conclusões da investigação do Sipaer não podem ser usadas para fins probatórios em processo judicial ou em procedimento administrativo, e só são fornecidas mediante requisição do juiz. Quando o magistrado quer usar uma dessas fontes como prova, o artigo 88-K manda ouvir antes o representante judicial da autoridade Sipaer, que tem 72 horas para se pronunciar.
Quem apura eventual crime é outra instância. O artigo 88-D determina que, se aparecerem indícios de crime no curso da investigação, o fato seja comunicado à autoridade policial, que conduz o próprio inquérito. As duas correm em paralelo, e o artigo 88-B proíbe que a mesma pessoa participe das duas.
O que acontece agora com os destroços
A remoção da aeronave não é livre. Pelo artigo 88-N do Código, nenhum destroço ou objeto transportado pode ser vasculhado ou removido sem autorização da autoridade de investigação, salvo para salvar vidas, preservar a segurança de pessoas ou preservar evidências. O artigo 88-M permite ainda a interdição formal da aeronave.
Na prática, isso explica a sequência que se vê em campo: primeiro o isolamento do local, depois a perícia criminal, e só então a liberação dos itens que interessam à investigação técnica.
A sequência de acidentes com helicóptero em 2026
O caso entra num ano em que a aviação de asa rotativa já apareceu mais de uma vez na cobertura nacional. Em agosto, uma queda de helicóptero no Rio de Janeiro deixou quatro mortos, e o caso levou o Ministério Público Federal a entrar com uma ação em que cobra rota fixa e fiscalização para os helicópteros da cidade.
A ação pede que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo e a Anac definam rota e fiscalização para o tráfego de helicópteros no Rio. Cada uma dessas apurações corre no ritmo do Cenipa, e é por isso que relatório final de acidente aéreo costuma sair muito depois do noticiário.
O que ainda não se sabe
Até esta terça-feira não havia informação oficial sobre a causa da queda, sobre as condições de voo no trecho entre Porto Belo e São Joaquim nem sobre o histórico de manutenção do PP-MGR. Nada disso é conclusão que o Cenipa antecipe: a ação inicial é de coleta, e qualquer hipótese divulgada antes dela sai da especulação, não do trabalho técnico.
O acompanhamento se faz por dois canais: as notas do Cenipa, que publica relatórios e recomendações de segurança de voo, e o inquérito da Polícia Civil de Santa Catarina, que responde pela parte criminal. A perícia da Polícia Científica no local é o passo imediato.