PM ocupa cinco comunidades do Complexo de Israel, no Rio
Mais de 220 policiais cumprem mandados contra o TCP; oito pessoas foram presas e dois fuzis apreendidos
A Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupou nesta quarta-feira (26/8) cinco comunidades do chamado Complexo de Israel, na zona norte da capital fluminense, com mais de 220 policiais. A operação mira integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e cumpre mandados de prisão expedidos a partir de investigações da 38ª Delegacia de Polícia, em Brás de Pina.
Foram ocupadas as comunidades Cinco Bocas, Cidade Alta, Pica-Pau, Vigário Geral e Parada de Lucas. Participam do cerco o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães, o 1º Comando de Policiamento de Área, o Batalhão de Polícia de Vias Especiais, o Recom e o Batalhão de Trânsito.
"Estamos fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência", afirmou o porta-voz da PM, major Maicon Pereira.
O balanço divulgado até agora
Segundo a corporação, oito pessoas foram presas: cinco no Complexo de Israel e três em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um homem apontado como gerente do tráfico local morreu em confronto com os policiais. Foram apreendidos dois fuzis, drogas, veículos roubados, celulares e outros aparelhos eletrônicos.
A operação tem como alvo o grupo ligado a Álvaro Malaquias Santos Rosa, conhecido como Peixão, apontado pelas autoridades como chefe do TCP na região. Também é procurada Luana Rosa de Araújo, descrita nas investigações como braço direito dele.
- Comunidades ocupadas: Cinco Bocas, Cidade Alta, Pica-Pau, Vigário Geral e Parada de Lucas
- Efetivo: mais de 220 policiais militares
- Presos: 8, sendo 5 no complexo e 3 em Nova Iguaçu
- Apreensões: 2 fuzis, drogas, veículos roubados e eletrônicos
- Origem: mandados de prisão da 38ª DP, em Brás de Pina
O que é o Complexo de Israel
A denominação não é oficial. Segundo registros policiais e a cobertura sobre a região, o apelido vem da associação entre o grupo que domina a área e símbolos religiosos, com bandeiras de Israel pintadas em muros e ruas do conjunto de comunidades.
A área fica no entorno da Avenida Brasil, principal via de entrada do Rio, e concentra alguns dos pontos de maior tensão da cidade. Vigário Geral e Parada de Lucas têm histórico de disputa entre facções rivais que se estende por décadas. Foi em Vigário Geral que ocorreu, em 29 de agosto de 1993, uma das chacinas mais conhecidas do país, com 21 moradores mortos por policiais militares. A operação desta quarta acontece três dias antes de a data completar 33 anos.
O Terceiro Comando Puro é uma das principais facções do Rio, ao lado do Comando Vermelho e do Amigos dos Amigos. O grupo se formou a partir de dissidências do antigo Terceiro Comando e disputa território em várias regiões da cidade, com concentração maior na zona norte e na Baixada Fluminense. A ocupação simultânea de cinco comunidades indica que o alvo não é um ponto de venda isolado, e sim a estrutura de comando instalada no conjunto.
Operações de ocupação como a desta quarta seguem um padrão: entrada com efetivo grande, cumprimento de mandados e permanência por tempo indeterminado, sem que a corporação divulgue previamente a data de saída. A PM não informou até esta publicação por quanto tempo o policiamento reforçado deve permanecer nas comunidades.
A corporação não divulgou, até esta publicação, balanço de feridos entre moradores nem prazo para o fim da ocupação.
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