Brasil

Senado dos EUA fecha acordo e garante governo até 11 de dezembro

Líderes apresentaram no domingo (2) projeto de financiamento de curto prazo para evitar paralisação federal durante a campanha das eleições de meio de mandato

Os líderes do Senado dos Estados Unidos apresentaram no domingo (2) um projeto de gastos de curto prazo que mantém o financiamento das agências federais até 11 de dezembro, movimento que afasta o risco de paralisação do governo durante a campanha das eleições de meio de mandato. A informação foi divulgada pelo Estadão Conteúdo.

A expectativa dos senadores é votar o texto ainda nesta semana, antes do recesso de agosto. A Câmara dos Representantes já aprovou proposta semelhante, e a negociação dos últimos dias tratou de exceções pedidas pela Casa Branca.

O que ficou de fora

Segundo os democratas, o acordo não incluiu o pedido de US$ 1 bilhão para a construção de navios de guerra da chamada classe Trump. O texto também adia uma regra da administração Trump sobre concessão de subsídios, que não entra em vigor enquanto valer o projeto provisório.

A negociação envolveu o líder da maioria no Senado, John Thune, a presidente do Comitê de Apropriações, Susan Collins, ambos republicanos, e a senadora democrata Patty Murray.

Por que o acordo veio antes do prazo

O ano fiscal americano termina em 30 de setembro. É comum que o Congresso deixe para as últimas horas antes dessa data a aprovação de medidas provisórias de financiamento, no chamado continuing resolution. Desta vez, os senadores buscaram resolver a questão com quase dois meses de antecedência.

A explicação está no calendário eleitoral. Em novembro, os americanos renovam a Câmara dos Representantes e parte do Senado. Uma paralisação em plena campanha significaria servidores sem salário, serviços suspensos e desgaste direto para quem estivesse no comando das negociações.

O que é um shutdown

  • Como acontece: sem lei de financiamento aprovada, as agências federais perdem autorização para gastar e suspendem atividades consideradas não essenciais.
  • Quem sente primeiro: servidores federais entram em licença sem vencimento ou trabalham sem receber até a regularização.
  • O que continua: serviços essenciais, como controle de tráfego aéreo, forças armadas e segurança de fronteira, seguem operando.
  • Quando termina: quando o Congresso aprova nova lei de financiamento e o presidente sanciona.

O efeito que chega ao Brasil

Episódios de paralisação nos Estados Unidos costumam elevar a aversão a risco nos mercados e mexem com dólar e juros futuros no Brasil. A retirada dessa incerteza do calendário até dezembro reduz uma das variáveis que operadores acompanham no segundo semestre, num período em que o câmbio brasileiro já responde às tarifas americanas sobre produtos nacionais.

Brasília acompanha o tema também pelo lado diplomático. O período de campanha americana tende a endurecer o discurso comercial, e o Brasil já acionou a Organização Mundial do Comércio contra as tarifas dos Estados Unidos.

4 visualizações