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Trump anuncia acordo para desarmar o Hamas; Israel não confirma

Anúncio do presidente dos EUA fala em desarmamento em fases e prazo de 200 a 320 dias, mas o governo israelense segue cético e o Hamas trata o texto como projeto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que as negociações realizadas no Cairo resultaram em um acordo para o desarmamento completo do Hamas em fases. O anúncio foi feito nas redes sociais e não teve confirmação do governo de Israel.

"Hoje, o Conselho da Paz chegou a um acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas", escreveu Trump. As tratativas ocorreram na quinta-feira (30), na capital egípcia.

Pelo texto apresentado pelo lado americano, o desarmamento seria executado em etapas, com as armas pesadas armazenadas sob controle de uma administração palestina. O plano prevê ainda a eliminação de túneis, estoques de armamento e instalações de produção, a retirada das forças israelenses e a atuação de uma força internacional encarregada da segurança. O prazo estimado é de 200 a 320 dias.

O que não está fechado

O anúncio não corresponde a um acordo assinado pelas duas partes. Israel havia rejeitado a proposta antes da divulgação e permanece cético, segundo autoridades americanas ouvidas sobre o tema. Uma fonte política israelense indicou que o país não concordaria em retirar suas forças antes que o Hamas se desarme.

O Hamas, por sua vez, tratou o documento como projeto de acordo, e não como compromisso firmado. O grupo descreveu os termos como difíceis e dolorosos.

Ghazi Hamad, representante do Hamas envolvido nas negociações, condicionou a implementação ao cumprimento, por parte de Israel, dos compromissos da primeira fase do acordo de Sharm el-Sheikh: encerrar os ataques em Gaza, recuar as tropas para as posições de outubro e ampliar o fluxo de ajuda humanitária.

"Insistimos com os mediadores que Israel deve cumprir o acordo", afirmou Hamad.

Não há, até o momento, manifestação oficial do gabinete israelense sobre a adesão ao texto anunciado por Trump, nem resposta das Forças Armadas de Israel sobre um ataque aéreo relatado no período.

Onde isso se encaixa na crise

O desarmamento é o ponto que trava a transição em Gaza desde o cessar-fogo. O plano americano prevê que o território passe a ser administrado por um novo governo palestino, em colaboração com o chamado Conselho da Paz, estrutura internacional criada para supervisionar a fase pós-conflito.

A discussão sobre quem governa Gaza já produziu movimentos concretos do lado palestino. Em etapa anterior do processo, o Hamas dissolveu seu governo na Faixa de Gaza e transferiu a administração a um comitê. O grupo também anunciou Khalil al-Hayya como novo líder.

Do lado israelense, o calendário político interfere na margem de negociação. O país tem eleições marcadas para 27 de outubro de 2026, o que reduz o espaço para concessões visíveis antes do pleito.

O Brasil acompanha as negociações pela via multilateral e defende, desde o início do conflito, cessar-fogo e acesso humanitário pleno ao território. Não houve manifestação do Itamaraty sobre o anúncio desta sexta-feira até a publicação desta reportagem.

Com informações da Agência Brasil.

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