Hamas nomeia Khalil al-Hayya como novo líder geral do movimento
Escolhido por conselho de 50 integrantes, negociador-chefe do grupo substitui Yahya Sinwar, morto em outubro de 2024
O Hamas anunciou nesta segunda-feira (20) a nomeação de Khalil al-Hayya como novo líder geral do movimento palestino. Ele assume o posto que pertencia a Yahya Sinwar, morto em combate contra forças israelenses em outubro de 2024, e passa a comandar o grupo em meio à guerra em Gaza.
Al-Hayya chefiava as operações do Hamas em Gaza a partir do exílio e atuava como negociador-chefe da organização nas conversas de cessar-fogo. Ele ganhou projeção depois das mortes de Sinwar e de Ismail Haniyeh, assassinado no Irã em julho de 2024, segundo a agência Reuters, cuja reportagem foi publicada pela Agência Brasil.
Como foi a escolha
A eleição do novo líder coube a um conselho de 50 integrantes, formado por membros do Hamas em Gaza, na Cisjordânia ocupada, incluindo presos em cadeias israelenses, e no exílio.
O processo começou em janeiro e foi interrompido mais de uma vez pelas guerras no Irã e no Líbano e pelas operações militares israelenses em Gaza, o que explica os seis meses até o anúncio.
Segundo o Metrópoles, al-Hayya é visto como mais linha-dura do que Khaled Meshaal, chefe do escritório político do movimento no exterior e outro nome cotado para o cargo.
O que a escolha sinaliza
Para analistas da região, o resultado indica que o grupo não pretende ceder nas negociações sobre seu arsenal, ponto central das propostas de acordo em discussão para Gaza.
"A vitória de Hayya é uma mensagem de que o Hamas continua comprometido com a luta armada, rejeita o desarmamento sob quaisquer condições e pretende reconstruir sua força militar, ao mesmo tempo em que preserva sua aliança com o Irã e o chamado 'Eixo da Resistência'", afirma a analista política palestina Reham Owda, à Reuters.
O anúncio é o capítulo seguinte de uma reorganização que já vinha em curso. Na semana passada, o grupo dissolveu o governo que mantinha em Gaza para abrir caminho a um comitê de transição com supervisão da ONU.
O território vive o segundo ano de uma guerra em larga escala com Israel, iniciada após os ataques de outubro de 2023. A sucessão na cúpula do Hamas acumulou baixas nesse período: além de Sinwar e Haniyeh, comandantes militares do grupo foram mortos em operações israelenses em Gaza e no Líbano.
Al-Hayya conhece a mesa de negociação como poucos no movimento. Foi ele quem conduziu, pelo lado palestino, as rodadas de cessar-fogo intermediadas por Catar e Egito, e sua promoção coloca o principal negociador no posto de decisão final.
Em Brasília, o Itamaraty acompanha a sucessão de perto: o Brasil defende a solução de dois Estados e integra as discussões multilaterais sobre a reconstrução de Gaza. A escalada regional também segue no radar, com os ataques do Irã a bases americanas no Kuwait e no Bahrein nesta semana.
Não há prazo definido para que al-Hayya anuncie a nova cúpula do movimento. A composição do comitê de transição em Gaza e o futuro das negociações de cessar-fogo são os primeiros testes do novo líder.