Cidades

Pessoa surda no DF pede intérprete de Libras 24h pelo QR Code do balcão

CIL Online liga cidadão e servidor por videochamada, de graça, e ganha novos pontos de atendimento

Neste texto4 tópicos
  1. Como chamar o intérprete na hora do atendimento
  2. Quantos atendimentos o GDF se comprometeu a fazer
  3. Por que isso importa em Brasília
  4. O que fazer se o QR Code não estiver no balcão

A pessoa surda que precisa resolver algo num posto de saúde, numa delegacia ou na Defensoria Pública do Distrito Federal pode chamar um intérprete de Libras na hora, sem agendar e sem pagar nada. O serviço se chama CIL Online, o Centro de Intermediação em Libras, e o Governo do Distrito Federal acaba de ampliar os pontos em que ele fica disponível.

A conexão é feita por videochamada. O intérprete aparece na tela, acompanha a conversa e traduz nos dois sentidos, de Libras para o português e do português para Libras, até o atendimento terminar. Também dá para usar por webchat e por telefone.

Como chamar o intérprete na hora do atendimento

O acesso foi desenhado para não travar em burocracia. Não há inscrição prévia, cartão nem senha.

Infográfico com os quatro passos para acionar o intérprete de Libras do CIL Online: abrir o aplicativo, pedir o intérprete, falar em Libras e receber a tradução de volta
Os quatro passos do atendimento. Nenhum deles exige cadastro prévio.Arte: DistritoNews, com dados da Agência Brasília
O que você precisa saberComo funciona
Quanto custaNada. O serviço é gratuito para o cidadão
Quando funciona24 horas por dia, sete dias por semana
Como entrarQR Code no ponto de atendimento, link no navegador ou aplicativo ICOM
Em qual aparelhoComputador, tablet ou celular, Android e iPhone
Por quais canaisVideochamada, webchat e telefonia
Precisa se cadastrarNão
Onde já é usadoSaúde, segurança pública e Defensoria Pública, entre outras áreas

O aplicativo aparece nas lojas com o nome ICOM, e o download é gratuito nas duas plataformas. Quem prefere não instalar nada abre o mesmo serviço pelo navegador, a partir do link que acompanha o QR Code afixado no balcão.

Quantos atendimentos o GDF se comprometeu a fazer

A novidade não é só a ampliação dos pontos. O ciclo de operação que começa agora, de outubro de 2026 a fevereiro de 2027, veio com números declarados, e eles permitem cobrar resultado depois.

Painel com as metas do CIL Online: 400 atendimentos por mês, 2 mil no ciclo, 90 segundos para iniciar 80% dos atendimentos e 11 intérpretes na equipe
Os números que o GDF declarou para o ciclo que vai de outubro de 2026 a fevereiro de 2027.Arte: DistritoNews, com dados da Agência Brasília

São 11 tradutores e intérpretes de Libras na equipe. A meta é de no mínimo 400 atendimentos por mês, o que soma pelo menos 2 mil nos cinco meses. Há também metas de qualidade: pelo menos 80% dos atendimentos devem começar em até 90 segundos, e o índice de satisfação deve ficar em 80% ou mais, medido entre usuários e servidores capacitados.

Esse último ponto revela a outra metade do projeto. Além de colocar o intérprete na tela, o CIL Online prevê capacitação de servidores públicos, para que a equipe do balcão saiba o que fazer quando uma pessoa surda chega.

Por que isso importa em Brasília

Comunicação é a porta de entrada de quase todo serviço público. Quem não consegue explicar o sintoma no posto, registrar a ocorrência na delegacia ou entender a orientação do defensor fica dependendo de um acompanhante, e nem sempre há um. É esse gargalo que a intermediação a distância tenta resolver.

A Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão desde a Lei nº 10.436, de 2002, regulamentada pelo Decreto nº 5.626, de 2005. A Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, foi além e obrigou o poder público a garantir atendimento prioritário e acessível à pessoa com deficiência, o que inclui recursos de comunicação.

Na prática, o que faltava era a ponte operacional. Manter intérprete presencial em cada unidade de saúde, delegacia e posto de atendimento do DF é caro e logisticamente difícil. Uma central única, acionada por vídeo de qualquer balcão, resolve o mesmo problema com uma equipe menor. É o mesmo raciocínio de outras frentes recentes, como a exigência de profissional que saiba Libras nas escolas de educação básica, e o projeto que garante Libras e braile no atendimento a mulher com deficiência vítima de violência.

O que fazer se o QR Code não estiver no balcão

Nem todo ponto de atendimento do Distrito Federal já tem a sinalização. A ampliação anunciada pelo GDF prevê justamente levar o serviço a locais de grande circulação, mas a instalação é gradual. A comunicação oficial não divulgou a lista de endereços dos novos pontos nem a data em que cada um entra em operação, e essa é a informação que ainda falta para quem quer se programar antes de sair de casa.

Se o QR Code não estiver visível, o caminho é pedir ao servidor que acione o CIL Online pelo computador do próprio setor, porque o serviço também pode ser aberto pelo lado de quem atende. Outra opção é o cidadão abrir o aplicativo ICOM no celular e iniciar a chamada por conta própria, mostrando a tela ao atendente.

Quem quiser acompanhar a expansão encontra a comunicação oficial na Agência Brasília, canal de notícias do Governo do Distrito Federal. O próximo marco a observar é fevereiro de 2027, quando fecha o ciclo e os 2 mil atendimentos prometidos passam a ser número cobrável.

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