Focus reduz projeção de inflação de 2026 para 5,02%, a sexta queda seguida
Boletim do Banco Central divulgado nesta segunda-feira mantém Selic em 13,75% e dólar a R$ 5,20 no fim do ano; PIB cai para 1,98%
O mercado financeiro reduziu de 5,03% para 5,02% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10). É a sexta queda semanal consecutiva da estimativa de inflação para o ano.
O Focus reúne as projeções de cerca de uma centena de instituições financeiras e é publicado toda segunda-feira. A pesquisa serve de termômetro para o Banco Central acompanhar como o mercado lê o efeito da política monetária sobre os preços.
A coleta é feita ao longo da semana e a mediana publicada na segunda-feira reflete o que os analistas enxergavam até a sexta anterior. Por isso o boletim funciona como retrato de expectativa, e não como medição de preço: quem mede preço é o IBGE, com o IPCA.
Além da inflação deste ano, o boletim trouxe os seguintes números:
- IPCA 2027: 4,20%;
- IPCA 2028: 3,80%, estável em relação à semana anterior;
- Selic no fim de 2026: 13,75% ao ano, sem alteração;
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,20, também estável;
- PIB de 2026: 1,98%, ante 1,99% na semana passada.
Inflação projetada segue acima do teto da meta
Mesmo com seis semanas seguidas de recuo, a projeção continua fora do intervalo perseguido pelo Banco Central. A meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que coloca o teto em 4,5%. A estimativa de 5,02% está meio ponto acima desse limite.
Quando a inflação estoura o teto, o presidente do Banco Central precisa enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as causas do descumprimento e o prazo esperado para o índice voltar ao intervalo. A sequência de revisões para baixo indica que o mercado enxerga o aperto monetário produzindo efeito, ainda que em ritmo lento.
A Selic projetada em 13,75% para o fim do ano é a peça que sustenta essa leitura. Juro alto encarece crédito, segura consumo e freia preços, com custo do outro lado: a projeção de crescimento do PIB, que voltou a ser cortada e agora está em 1,98%.
O que muda no bolso do brasiliense
Para quem mora no Distrito Federal, os dois números que saem do Focus e chegam ao orçamento doméstico são a Selic e a inflação projetada. A taxa básica define o custo do cartão, do cheque especial, do financiamento de veículo e do crédito imobiliário, e também remunera a poupança e os títulos do Tesouro Direto.
A inflação projetada, por sua vez, entra nas contas de reajuste de aluguel, de contratos de serviço e de mensalidade escolar, além de servir de referência para negociação salarial. Com a mediana rodando acima de 5%, o poder de compra continua sendo corroído mesmo com o índice em trajetória de queda.
O próximo dado concreto sai nesta terça-feira (11), quando o IBGE divulga o IPCA de julho. É o número que vai mostrar se a desaceleração projetada pelo mercado está de fato aparecendo nos preços ao consumidor, e não apenas na expectativa dos analistas.
Na semana passada, o Focus havia projetado IPCA de 5,03% para 2026, com Selic e câmbio nos mesmos patamares divulgados agora.