Dono do Habib's tem recuperação judicial deferida com dívida de R$ 265 mi
Grupo Gennius, que reúne Habib's, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, soma mais de 300 restaurantes em cerca de 90 cidades
O Grupo Gennius, dono das redes Habib's, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi protocolado na segunda-feira (24) e processado pelo juiz Jomas Juarez Amorim.
Juntas, as quatro marcas somam mais de 300 restaurantes em cerca de 90 cidades brasileiras. Em nota, o grupo afirmou que teve "seu pedido de Recuperação Judicial deferido, como parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo". A empresa não informou quantos empregos estão envolvidos nem quando pretende apresentar o plano aos credores.
Dois meses antes de entrar com o pedido, o grupo já havia obtido uma tutela cautelar que o protegia de protestos e cobranças por 60 dias, medida usada por empresas que preparam a recuperação e querem evitar a corrida de credores enquanto organizam os números.
O que o deferimento muda na prática
O deferimento não encerra o caso, começa. Pela Lei 11.101/2005, a decisão que manda processar a recuperação judicial suspende por 180 dias as execuções contra a devedora, o chamado período de blindagem. Nesse intervalo, credores não podem retomar bens essenciais à atividade nem levar adiante penhoras, e a empresa ganha fôlego para negociar.
A partir do deferimento, a companhia tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação, que precisa detalhar como pretende pagar cada classe de credor. O plano vai à assembleia geral de credores, que pode aprová-lo, rejeitá-lo ou negociar mudanças. Rejeição sem acordo abre caminho para a falência.
Para quem é cliente, o processo não fecha as portas: as lojas seguem funcionando, e é a continuidade da operação que sustenta a recuperação. O risco recai sobre fornecedores e franqueados, que passam a integrar a fila de credores e dependem do plano para saber quando e quanto vão receber.
Em rede que opera por franquia, a distinção entre a franqueadora e o dono de cada loja é o ponto que mais gera confusão. A recuperação judicial alcança as empresas que pediram, não automaticamente cada unidade franqueada. O franqueado segue respondendo pelo próprio ponto, pelos funcionários e pelos contratos que assinou, mas fica exposto ao que acontece com a marca, com a central de compras e com o abastecimento.
O varejo brasileiro em fila
O caso do Gennius entra numa sequência de pedidos de peso no comércio brasileiro. Em agosto, a Casas Bahia recorreu ao mesmo instrumento com passivo de R$ 17,3 bilhões, em processo também concentrado em São Paulo, e teve demissões coletivas suspensas por decisão da Justiça do Trabalho. No agronegócio, levantamento da Serasa Experian apontou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% na comparação anual.
- Dívida declarada: R$ 265,2 milhões
- Marcas envolvidas: Habib's, Ragazzo, Mita e Tendall Grill
- Rede: mais de 300 restaurantes em cerca de 90 cidades
- Vara: 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo
- Prazo do plano: 60 dias a partir do deferimento
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Com informações do Poder360.