Economia

IBGE projeta safra recorde de 352,9 milhões de toneladas de grãos em 2026

Soja puxa o resultado com alta de 5,3%; trigo e arroz recuam

Neste texto3 tópicos
  1. O que puxa o recorde
  2. O que isso muda para quem mora no DF
  3. Como o levantamento é feito

O Brasil deve colher 352,9 milhões de toneladas de grãos em 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo IBGE em 15 de setembro. Se o número se confirmar até o fim da colheita, será o maior volume já registrado pela pesquisa, superando o recorde de 346,1 milhões de toneladas fechado em 2025.

A estimativa de setembro ficou praticamente estável frente à de agosto, com recuo de apenas 81,4 mil toneladas, uma variação de menos de 0,1%. O resultado consolida uma série de revisões para cima ao longo do ano: em outubro de 2025, o primeiro prognóstico indicava queda de 3,7% na safra; em março, o IBGE já falava em recorde.

O que puxa o recorde

A soja é a principal responsável pelo resultado. O IBGE projeta 174,8 milhões de toneladas da oleaginosa em 2026, alta de 5,3% sobre 2025 e também recorde da série histórica. O milho deve ficar praticamente estável, com alta de 0,1% no total: a primeira safra cresce 15,5%, mas a segunda safra, a mais relevante no país, recua 3,4%.

Nem todas as culturas acompanham o avanço. O trigo tem a maior queda entre os grãos pesquisados, de 18,9%, seguido pelo arroz, com recuo de 11,2%, o algodão, com baixa de 6,7%, e o feijão, com 6,6% a menos. Na ponta positiva além da soja, o sorgo cresce 8,1%.

O que isso muda para quem mora no DF

O Distrito Federal não é grande produtor de grãos, mas sente o resultado da safra no preço do carrinho de supermercado. Oferta recorde de soja e milho tende a segurar o custo de ração animal, o que pressiona para baixo o preço de carnes, ovos e leite nas prateleiras de Brasília, enquanto a quebra do trigo e do arroz trabalha no sentido contrário sobre pão, massas e o prato típico do brasiliense. O mercado já embute parte desse efeito nas projeções mais recentes de inflação e Selic para o fim de 2026 levantadas pelo Boletim Focus do Banco Central.

O Banco Central já havia citado o desempenho da agropecuária, que puxou 11,7% do Produto Interno Bruto do setor em 2025, como um dos fatores de estabilidade da economia neste ano; para 2026, a projeção do próprio BC é de crescimento mais moderado, de 1,7%, no agronegócio. No entorno do DF, o próprio Censo Agropecuário do IBGE já havia mostrado que municípios do Centro-Oeste como Sapezal e Sorriso lideram a produção agrícola nacional, região que concentra boa parte do avanço da soja citado no novo levantamento.

O LSPA é o levantamento mensal que acompanha a evolução de 31 produtos agrícolas em todo o país e serve de referência oficial para o governo calcular o Produto Interno Bruto do setor e para o mercado financeiro projetar exportações e preços de commodities. A pesquisa do IBGE segue sendo atualizada mês a mês até o fim da colheita de cada cultura, o que significa que os números de 2026 ainda podem mudar nas próximas divulgações, a depender do clima nas regiões produtoras do Centro-Oeste, do Sul e do Matopiba.

Como o levantamento é feito

O IBGE monta a estimativa a partir de entrevistas com produtores, técnicos agrícolas e órgãos estaduais de assistência rural em todos os municípios do país, cruzando área plantada, área colhida, rendimento médio por hectare e quantidade produzida de cada cultura. É o mesmo método usado desde a década de 1970 para acompanhar safra a safra, o que permite comparar o resultado de 2026 com recordes anteriores sem mudança de metodologia. A nova rodada do LSPA sai no fim de outubro e deve confirmar, ou não, se a soja e o milho sustentam a marca histórica apontada em setembro.

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