Trégua EUA-China vai até 10 de janeiro, e a Abiove já cortou a previsão de exportação de soja do Brasil
Prorrogação da trégua tarifária adia a disputa para janeiro. Veja por que a Abiove já reduziu a previsão de soja do Brasil em 2026.
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Estados Unidos e China prorrogaram até 10 de janeiro a trégua comercial que congela tarifas entre as duas maiores economias do mundo. O prazo anterior vencia em novembro. A decisão foi selada na reunião entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca, na quinta-feira.
O acordo original foi costurado em outubro do ano passado. A prorrogação de dois meses abre espaço para negociar um entendimento mais amplo, em vez de uma série de medidas pontuais.
O que a China ainda não cumpriu
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou na quarta-feira que Pequim segue comprando soja americana dentro do combinado. O problema está no resto da pauta agrícola. A meta de US$ 17 bilhões em outros produtos do campo continua em atraso.
"Há alguns pontos que não foram cumpridos de forma perfeita pelo lado chinês; por isso, agora que nos reunimos e expusemos nossas expectativas, também queremos ver se, nos próximos meses, eles conseguirão ser mais abrangentes na implementação do acordo", disse Bessent à Fox News.
O secretário negociou ao menos duas vezes com He Lifeng, vice-primeiro-ministro da China, antes do encontro dos presidentes. Xi desembarcou em Washington na terça-feira e voltou a Pequim na sexta. Além de comércio, a pauta da reunião incluiu Taiwan, inteligência artificial e a guerra no Oriente Médio.
Por que isso mexe com a soja brasileira
Cada tonelada que a China compra nos Estados Unidos é uma tonelada que ela não compra aqui. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, a Abiove, reagiu a esse movimento antes mesmo da cúpula.
Em 18 de setembro, a entidade reduziu em 400 mil toneladas a previsão de exportação brasileira de soja em 2026, que passou a 115 milhões de toneladas. A justificativa foi direta: a China intensificou as compras de soja americana nas semanas que antecederam a viagem de Xi a Washington.

Mesmo com o corte, o ano segue positivo para o produtor brasileiro. A previsão de 115 milhões de toneladas representa alta de 6,3% sobre 2025, e o processamento interno deve bater recorde, com 63,5 milhões de toneladas. De janeiro a agosto, a China levou 70% de toda a soja exportada pelo Brasil.
"Seguimos acompanhando os indicadores de oferta e demanda com cautela para garantir o suprimento regular", afirmou Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.
Onde entra o Distrito Federal
Soja e milho ocupam 75% da área plantada no Distrito Federal, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. O produtor daqui vende no mesmo mercado do Centro-Oeste e sente o mesmo prêmio pago pela saca. Quando a China desvia compra para os Estados Unidos, essa é a conta que muda.
O grão não é o negócio mais rentável do campo candango por hectare. Os dados do IBGE mostram que, na terra do DF, o morango rende 59 vezes mais por hectare que a soja. O morango ocupa, porém, uma fração mínima da área.
O que vem pela frente
O calendário coloca o Brasil na mesa logo em seguida. Na terça-feira, 30 de setembro, Brasil e Estados Unidos voltam a discutir tarifas no encontro do G20, em Milwaukee, com o secretário Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer.
Para o lado americano, a data a marcar é 10 de janeiro. Bessent disse à Fox News que, até lá, pode sair um pacote econômico mais amplo, ou o acordo atual pode simplesmente ser prorrogado outra vez. Os balanços mensais da Abiove e as estatísticas de comércio exterior da Secex mostram, mês a mês, para onde a soja está indo.