Economia

Quase metade dos empreendedores do DF tem CNPJ, a 2ª maior taxa do país

O DF tem 47,5% dos empreendedores com CNPJ e fica atrás só de Santa Catarina. Veja o recorte por empregador e conta própria na Pnad 2025.

Neste texto5 tópicos
  1. Quantos ainda estão sem registro no DF
  2. Quem tem empregado se formaliza; quem trabalha sozinho, não
  3. O que o país mostrou
  4. Como formalizar no DF
  5. O que isso diz sobre o mercado de trabalho local

Quase metade dos empreendedores do Distrito Federal trabalha com CNPJ, proporção que coloca a capital em segundo lugar no país. Dos 354 mil moradores do DF que eram empregadores ou trabalhadores por conta própria em 2025, 168 mil tinham negócio registrado, segundo a edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (23).

São 47,5% com registro, contra 35% na média nacional. Só Santa Catarina tem taxa maior, 50,4%. São Paulo vem logo atrás do DF, com 47,2%. Os dados por unidade da Federação não estão no resumo divulgado pelo instituto e foram extraídos por esta reportagem da tabela 7233 do Sidra, o banco de dados do próprio IBGE.

Quantos ainda estão sem registro no DF

Os outros 186 mil empreendedores do DF, ou 52,5% do total, trabalham sem CNPJ. O número caiu em relação a 2024, quando eram 200 mil sem registro num grupo maior, de 362 mil pessoas. A taxa de formalização local subiu de 44,8% para 47,5% em um ano, avanço de 2,7 pontos percentuais, maior que o do país, de 1,4 ponto.

A leitura precisa de uma ressalva técnica. O coeficiente de variação da amostra do DF é de 6,7% na estimativa de quem tem CNPJ, contra 1,4% na estimativa nacional. A margem local é maior, e diferenças de menos de um ponto entre o DF e São Paulo não podem ser tratadas como distância real.

Quem tem empregado se formaliza; quem trabalha sozinho, não

O retrato muda conforme o tipo de empreendedor. No DF, 71 mil pessoas são empregadoras, ou seja, tocam o próprio negócio com pelo menos um empregado. Dessas, 64 mil têm CNPJ: 90,1%, acima dos 81,1% do país. A amostra desse recorte é pequena e o coeficiente de variação passa de 11%, então o número serve para indicar patamar, não para comparar centésimos.

Já entre os 283 mil trabalhadores por conta própria do DF, só 104 mil têm registro, ou 36,7%. É mais que a média nacional dessa categoria, de 27,1%, mas fica mais de 53 pontos abaixo do grupo dos empregadores. A informalidade do DF está concentrada em quem trabalha sozinho.

Gráfico de barras comparando o percentual com CNPJ entre empregadores e trabalhadores por conta própria no DF e no Brasil em 2025
Entre empregadores do DF, 90,1% têm CNPJ; entre quem trabalha por conta própria, 36,7%.Gráfico: DistritoNews, com dados do IBGE

O que o país mostrou

No Brasil, 2025 marcou a maior proporção já registrada pela série: 35% dos 30,6 milhões de empreendedores tinham CNPJ, o equivalente a 10,7 milhões de pessoas. Quase 20 milhões seguem sem registro. Em 2012, início da série, a taxa era de 24%. A pesquisa não tem edições de 2020 e 2021, por causa da pandemia.

Gráfico de barras com o percentual de empreendedores brasileiros com CNPJ ano a ano, de 2012 a 2025
A taxa nacional saiu de 24% em 2012 para 35% em 2025, com salto entre 2019 e 2022.Gráfico: DistritoNews, com dados do IBGE

O IBGE associa o avanço ao nível de instrução. Pela primeira vez, mais da metade dos conta própria com ensino superior (50,8%) tinha registro formal. Entre os que têm ensino médio completo, a taxa é de 29,7%. Entre quem tem fundamental completo ou médio incompleto, cai para 18,6%, e entre sem instrução e fundamental incompleto, para 11%.

Por setor, comércio e reparação de veículos lidera, com 36,7% de cobertura de CNPJ, seguido de serviços (33,5%), indústria (22,8%), construção (14,8%) e agropecuária (6,5%).

Como formalizar no DF

O caminho mais usado é o Microempreendedor Individual. O MEI exige exercer atividade da lista de ocupações permitidas, ter no máximo um empregado que receba o piso da categoria ou um salário mínimo, não ser sócio de outra empresa e faturar até R$ 81 mil por ano, com exceções conforme a atividade. Em troca, o registro dá acesso a aposentadoria por idade e por invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte.

No Distrito Federal, a abertura e a regularização de empresa passam pela Junta Comercial do DF e pelos postos de atendimento ao empreendedor. O mercado de pequenas empresas do DF é grande o bastante para virar pauta de campanha: os candidatos ao GDF disputam o voto de 421 mil pequenas empresas.

O que isso diz sobre o mercado de trabalho local

O DF combina alta formalização entre empreendedores com desemprego baixo. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação local caiu para 6,5%, a menor da série, ainda que acima da média do país.

O número do registro completa esse quadro por outro ângulo: no DF, empreender tende a ser atividade com empresa aberta, e não trabalho por conta própria informal, como ocorre na maior parte do país. A série completa por unidade da Federação está disponível na tabela 7233 do Sidra, no site do IBGE.

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