Candidatos ao GDF disputam voto de 421 mil pequenas empresas do DF
Segmento emprega 405 mil pessoas na capital e concentra propostas de crédito, corte de impostos e desburocratização
Os candidatos ao Governo do Distrito Federal apresentaram propostas para micro e pequenas empresas em levantamento publicado neste sábado (12) pelo Correio Braziliense. O segmento reúne 421.935 empresas no DF e emprega cerca de 405 mil pessoas, segundo dados do Sebrae-DF.
O número corresponde a 87,9% dos 479.954 empreendimentos ativos na capital federal. Do total de micro e pequenas empresas, 207.100 são microempreendedores individuais (MEIs), 175.356 são microempresas e 39.479 são empresas de pequeno porte. Em 2025, a taxa de novos negócios no DF chegou a 52%, e as MPEs registraram 148.626 admissões até 2026, com destaque para o setor de serviços.
O BRB no centro das propostas
Entre os candidatos ouvidos, o Banco de Brasília aparece como principal instrumento citado. Celina Leão (PP), governadora e candidata à reeleição, propõe ampliar o acesso ao crédito e diz que a ideia é "juntar crédito com orientação, assistência técnica e educação financeira, para que o pequeno empreendedor tenha condições de fazer o negócio prosperar". Ela afirma ainda que pretende modernizar e ampliar incentivos fiscais, imobiliários e de crédito.
José Roberto Arruda (PSD) propõe criar o Programa Distrital de Competitividade Empresarial, voltado a melhorar as condições para que empresas locais disputem mercados fora do DF, e também coloca o BRB como instrumento de estímulo. O candidato teve o registro de candidatura indeferido pelo TRE-DF em 3 de setembro.
Leandro Grass (PT) afirma que vai estruturar uma política pública de crédito para pequenos negócios, com o programa Fomenta-DF, que priorizaria "mulheres, jovens e negócios de periferia, que são os que mais penam para conseguir uma linha". Ele pretende transformar o BRB e os instrumentos de fomento em agências com captação junto ao BNDES, à Finep e a fundos garantidores.
Paula Belmonte (PSDB) defende recuperar o papel do BRB como instituição de fomento e ampliar crédito e microcrédito, "inclusive para capital de giro e investimentos, com atenção especial aos pequenos negócios e aos empreendedores das regiões administrativas". Kiko Caputo (Novo) propõe alinhar o BRB e os fundos públicos à estratégia de desenvolvimento econômico do DF, preservando governança e responsabilidade financeira. Ricardo Cappelli (PSB) diz que vai mudar o papel do banco para ampliar o apoio a pequenos e médios empreendedores: "Essa é a missão original do BRB. E é isso que nós vamos fazer".
Onde o Sebrae aponta o gargalo
A entidade lista quatro obstáculos ao crescimento dos pequenos negócios no DF: acesso ao crédito, integração dos processos de licenciamento, carga tributária e regulatória e capacitação em gestão. O gerente de políticas públicas do Sebrae-DF, Jorge Adriano Soares da Silva, defende que o financiamento venha acompanhado de planejamento e de mecanismos de garantia, como o Fundo de Aval à Micro e Pequena Empresa (Fampe).
A abertura de empresas de baixo risco já é digital em Brasília e leva cerca de 12 horas, segundo o Sebrae, que ainda vê espaço para integrar licenciamentos. Economista e professor do Ibmec, Renan Silva avalia que a burocracia de abertura, licenciamento e regularização "ainda impõe barreiras de entrada e custos operacionais significativos" na fase pré-operacional, e alerta que crédito em ambiente de demanda deprimida ou sem análise de capacidade de pagamento leva à insolvência do empreendedor.
O peso do setor cresce diante da dependência da economia local do setor público. A disputa pelo Buriti tem seis candidatos com propostas já mapeadas em levantamento anterior sobre o pleito. O primeiro turno é em 4 de outubro.