Saúde

Obra do Caps AD de Taguatinga parou após vandalismo e MPDFT dá 10 dias úteis à Novacap

Moradores protestaram, houve vandalismo e a construtora suspendeu os serviços. Veja o que o MPDFT exigiu e o que a parada coloca em risco.

Neste texto5 tópicos
  1. Por que a obra parou
  2. O que está em jogo além do prédio
  3. O que é um Caps AD e quem ele atende
  4. Onde buscar atendimento enquanto a obra não sai
  5. Próximos passos

O Ministério Público do DF recomendou que a Novacap e a empresa contratada mobilizem todos os esforços e instrumentos legais para concluir a obra do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Taguatinga, parada depois de atos de vandalismo no canteiro. A Recomendação Conjunta foi expedida em 17 de setembro.

O documento saiu das Promotorias de Justiça Regionais de Defesa dos Direitos Difusos e tem como destinatários a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil e a AM Construções e Reformas Eireli. As duas têm 10 dias úteis para informar as providências adotadas.

Por que a obra parou

Em agosto de 2026, moradores da região passaram a se manifestar contra a implantação da unidade no local previsto. As promotorias registram que houve atos de vandalismo, o que levou a empresa contratada a suspender temporariamente os serviços para preservar a segurança dos trabalhadores. Um boletim de ocorrência policial foi registrado.

Tabela com seis pontos da recomendação do MPDFT sobre a obra do Caps AD de Taguatinga
Da origem do dinheiro ao motivo da paralisação, o que consta na recomendação de 17 de setembroArte: DistritoNews, com dados do MPDFT

O MPDFT rebate a discussão sobre o terreno. Segundo a recomendação, a escolha da área seguiu critérios técnicos e administrativos de localização, acessibilidade, abrangência territorial e viabilidade de implantação do serviço. O lote fica no Setor L Norte, pertence à Secretaria de Saúde do Distrito Federal e tem destinação urbanística compatível com equipamento público de saúde. O órgão afirma que não há impedimento jurídico para a continuidade da obra.

O que está em jogo além do prédio

A unidade não é uma obra isolada. Ela integra o processo de ampliação da Rede de Atenção Psicossocial do DF e foi selecionada pelo Ministério da Saúde para receber recursos do Novo PAC. A entrega também está ligada ao cumprimento de ação civil pública que determinou ao GDF a implantação de 19 centros de atenção psicossocial.

Ou seja: o atraso em Taguatinga afeta uma meta judicial que vale para todo o Distrito Federal e coloca em risco um repasse federal já destinado. As promotorias registram que o DF enfrenta cenário de sobrecarga nos serviços de saúde mental.

O MPDFT orientou ainda que, se for necessário, a Novacap e a empresa se articulem com a Secretaria de Saúde, com outros órgãos do GDF e, quando preciso, com as forças de segurança para garantir a entrega. A íntegra está na nota publicada pelo órgão.

O que é um Caps AD e quem ele atende

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas é a unidade do SUS voltada ao cuidado de pessoas com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. O atendimento é gratuito, feito por equipe multiprofissional, e a porta de entrada não exige encaminhamento nem agendamento prévio.

A rede do DF vem sendo ampliada em etapas. O Cruzeiro recebeu um Caps II com capacidade para 1,2 mil pacientes, e o Gama ganhou unidade com funcionamento 24 horas. Cada abertura retira pressão dos hospitais e das UPAs, que hoje absorvem parte da demanda de crise em saúde mental.

Onde buscar atendimento enquanto a obra não sai

  • Caps do DF: o acolhimento é feito sem agendamento, em qualquer unidade da rede, conforme o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial no SUS do DF.
  • UBS: a unidade básica mais próxima faz a primeira avaliação e encaminha para a rede especializada.
  • CVV: 188, ligação gratuita, 24 horas, para apoio emocional e prevenção do suicídio.
  • MPDFT: (61) 3343-9500, em dias úteis, das 9h às 19h, para denúncia sobre serviço público de saúde.

Próximos passos

O prazo de 10 dias úteis corre desde a expedição da recomendação, em 17 de setembro, e vence no começo de outubro. A recomendação não tem força de decisão judicial: se a resposta não vier ou as obras não forem retomadas, o passo seguinte do Ministério Público é acionar a Justiça. A nota do MPDFT não registra manifestação da Novacap nem da construtora sobre a recomendação.

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