Celina descarta reajuste parcelado e diz que negociará servidores carreira por carreira
Governadora reeleita chamou de injusto o aumento linear de 18% dado em 2023 e prometeu olhar as categorias que ficaram para trás
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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que não vai repetir o modelo de reajuste parcelado adotado por seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), e que pretende negociar "carreira por carreira". A declaração foi dada em entrevista ao Metrópoles na terça-feira, 27.
Segundo o jornal, Celina classificou como "injusto" o reajuste linear de 18% concedido a todos os servidores. "Você pega categorias que tinham tido reajuste há 20 anos e pega aquela que teve reajuste há pouco tempo e dá o mesmo valor. O Estado não está igual", declarou. Ela reconheceu que a medida foi importante porque "todo mundo teve reajuste".
"Vou tratar carreira por carreira, ver quais ficaram para trás. Para fazer uma coisa com justiça. Eu entendo que a motivação dele foi ser justo com todo mundo, mas eu, que tenho quatro mandatos, eu conheço esta cidade, então muitas categorias ficaram muito bravas", completou.
O que foi o reajuste de 18%
O percentual vem da Lei distrital 7.253/2023, que aplicou reajuste linear de 18% às carreiras em três parcelas anuais, até julho de 2025, e de 25% aos cargos comissionados. A informação consta de nota da Secretaria de Economia (SEEC-DF) enviada ao Jornal de Brasília.
Na mesma nota, a pasta lista ajustes feitos depois, por carreira: 8% para auditores e procuradores em janeiro de 2026 e 5% em outubro de 2025 mais 5% em abril de 2026 para técnicos em enfermagem. Também citou readequações da Gratificação de Incentivo à Carreira do magistério e reestruturações nas tabelas do Detran-DF e da Gestão Fazendária neste ano. É o desenho que a governadora diz querer ampliar: ajuste dirigido, e não percentual único.
Quantos servidores estão em jogo
De acordo com o Painel Estatístico de Pessoal da SEEC-DF, o sistema reúne 192.186 cadastros no Distrito Federal: 112.194 servidores ativos, 62.947 inativos, 13.567 pensionistas e 3.478 em outros enquadramentos. A Secretaria de Educação concentra o maior contingente, com 71.786 servidores, seguida pela de Saúde, com 54.246.
As categorias, por sua vez, mantêm pautas próprias. O Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), por exemplo, cobra reestruturação da carreira para cumprir a Meta 17 do Plano Distrital de Educação e o pagamento retroativo do ajuste de 2015, conforme o Jornal de Brasília. O DistritoNews já mostrou o protesto dos professores na Praça do Buriti.
O que ainda não se sabe
A entrevista não traz calendário, percentuais nem a lista de carreiras que seriam priorizadas, e o Metrópoles não informa se houve resposta dos sindicatos até a publicação. O GDF também não detalhou o impacto fiscal de uma rodada de reajustes por carreira. A governadora toma posse para o novo mandato em 6 de janeiro, após a vitória no segundo turno.
Enquanto isso, o servidor do GDF tem ponto facultativo na sexta-feira, 30, data para a qual o governo transferiu a comemoração do Dia do Servidor Público pelo Decreto 49.585, publicado no Diário Oficial do DF.