Política

Celina mantém Nelson de Souza no comando do BRB e quer conversar com a União após a eleição

Celina Leão confirma Nelson de Souza no BRB no novo mandato e diz que é o momento de conversar com a União. Veja o que ela disse sobre contas e secretarias.

A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), confirmou nesta terça-feira, 27, que vai manter Nelson Antônio de Souza na presidência do Banco de Brasília (BRB) no segundo mandato. O anúncio saiu em entrevista ao Metrópoles, dois dias depois da vitória no segundo turno, e foi reproduzido pelo Acorda DF e pelo Diário do Poder.

Souza assumiu o banco em novembro de 2025, no momento mais grave da história da instituição, em lugar de Paulo Henrique Costa, exonerado depois de ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). A PF apura a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito falsas do Banco Master. O Metrópoles e o Acorda DF citam prejuízo estimado em cerca de R$ 8,8 bilhões. Antes do BRB, Souza presidiu a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste e o Banco do Empreendedor do Estado de São Paulo, e foi vice-presidente da Elo.

O recado para o governo federal

Questionada sobre os embates com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha, Celina disse que "o conteúdo político-eleitoral sempre foi muito prejudicial" ao banco. Para ela, passada a eleição, "é o momento certo" de conversar com a União sobre o BRB. Durante a disputa, a governadora havia afirmado que o banco não será privatizado, segundo o Diário do Poder.

Em 15 de outubro, dez dias antes do segundo turno, ela havia dito que um empréstimo federal ao BRB "ficaria muito mais fácil" com a vitória de Flávio Bolsonaro, segundo o Terra. Lula foi reeleito, e a conversa sobre o banco será com o governo que ela criticou na campanha. O DistritoNews noticiou em 28 de outubro o indiciamento de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB pela PF, e o banco ainda pede ao ministro André Mendonça, do STF, a liberação de 23 imóveis dados em garantia de papéis do Master.

Contas, salários e secretarias

Na mesma entrevista, Celina disse pretender fechar o ano com as contas "no azul" e R$ 3 bilhões em caixa para investimentos. O Diário do Poder ressalva que os números são declarações dela, sem demonstrativo fiscal apresentado; o balanço oficial só sai depois do fechamento das contas. Sobre a possibilidade de parcelamento de salários de servidores, que circulou na campanha, ela respondeu que a informação é "mentira" e que há "zero possibilidade" de isso acontecer.

Para o novo mandato, a governadora anunciou "várias trocas" nas secretarias, com mais mulheres e escolhas técnicas, priorizando experiência de gestão. Sobre o vice, Gustavo Rocha (Republicanos), afirmou que ele "sempre foi um braço muito forte no governo". Os nomes das pastas ainda não foram divulgados.

Em aberto no BRB ficam a negociação com a União, para a qual as reportagens não citam proposta formal nem data, e as investigações da PF sobre o caso Master, que seguem em curso.