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Eduardo Bolsonaro recebe green card dos EUA um mês após condenação no STF

Autorização de residência permanente saiu no início de julho e inclui a mulher e os dois filhos do ex-deputado

Os Estados Unidos concederam green card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e à família dele, conforme revelou nesta segunda-feira (20) a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. A autorização de residência permanente foi emitida no início de julho e alcança também a mulher do ex-parlamentar, Heloísa, e os dois filhos do casal.

A confirmação sobre a família veio do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, que ouviu interlocutores de Eduardo. Segundo a Folha, o ex-deputado entrou na categoria EB-1A, destinada a estrangeiros apontados pelo governo americano como portadores de habilidades extraordinárias, com pedido apresentado há cerca de um ano.

Decisão repercute na Praça dos Três Poderes

A notícia mexe diretamente com Brasília. Foi na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, que Eduardo foi condenado em junho a 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. Os ministros entenderam que ele atuou junto ao governo de Donald Trump para pressionar a Corte durante o julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O green card saiu pouco mais de um mês depois dessa condenação. Durante o processo, o ministro Alexandre de Moraes registrou que a atuação internacional do então deputado ultrapassava os limites do mandato.

"Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país", afirmou Moraes, em manifestação citada pelo Correio Braziliense.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando se licenciou do mandato para se dedicar à articulação com o governo americano em defesa do pai. Perdeu a cadeira na Câmara em dezembro de 2025, por excesso de faltas, como registrou o Poder360.

O que muda com o documento

  • Residência permanente e trabalho legal nos Estados Unidos;
  • Acesso a benefícios públicos em condições próximas às de um cidadão americano;
  • Sem cidadania e sem direito a voto;
  • Possibilidade de pedir naturalização após cinco anos, segundo o Metrópoles.

Na avaliação publicada pelo Correio Braziliense, a concessão expõe a blindagem que a família Bolsonaro construiu em Washington em meio à tensão diplomática com o governo brasileiro, alimentada pelas sanções americanas contra autoridades do país.

Processo continua em Brasília

O documento americano não altera a situação judicial de Eduardo no Brasil. A condenação imposta pelo STF segue de pé, e os recursos da defesa tramitam na Corte, em Brasília. O caso se soma à sequência recente de decisões envolvendo a família: na semana passada, Jair Bolsonaro recorreu ao STF para voltar a receber as visitas do filho Flávio, barradas desde que Moraes suspendeu os encontros do senador com o pai.

Daqui em diante, a defesa do ex-deputado ainda pode recorrer da condenação no Supremo. Nos Estados Unidos, a família passa a contar o prazo de cinco anos de residência exigido para o pedido de cidadania americana.

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