Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein no 10º dia de confrontos
Estatal de petróleo do Kuwait relata danos e feridos; funcionário americano diz à Reuters que instalações dos EUA não tiveram danos significativos
As Forças Armadas do Irã lançaram nesta terça-feira (21) uma nova onda de mísseis e drones contra instalações usadas por tropas dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, no 10º dia consecutivo de confrontos diretos entre os dois países. As informações são das agências estatais iranianas IRNA e Mehr.
Entre os alvos declarados no Kuwait estão a base aérea Ahmad al-Jaber e o Camp Arifjan, maior complexo logístico do Exército americano no Golfo, onde os alvos anunciados incluíram lançadores do sistema Himars, prédios administrativos e antenas de comunicação. A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter destruído um radar na base aérea Ali Al Salem e atacado o cais de abastecimento da frota americana no porto de Al Ahmadi.
No Bahrein, o alvo declarado foi a base de Sheikh Isa, onde estariam concentradas aeronaves de combate. Um funcionário do governo americano disse à agência Reuters que não houve mortes de militares dos EUA nem danos significativos às instalações americanas nos ataques desta terça.
Kuwait relata feridos e danos no setor de petróleo
As Forças Armadas do Kuwait informaram ter interceptado mísseis balísticos e drones. Bombeiros e trabalhadores do setor de petróleo ficaram feridos durante a resposta, segundo comunicados oficiais citados pelo jornal The New Arab.
A estatal Kuwait Petroleum Corporation confirmou que uma de suas instalações foi atingida, com danos e feridos, nos ataques que classificou como recorrentes.
Uma instalação da companhia foi atingida nos repetidos ataques iranianos, com danos significativos e feridos, informou a Kuwait Petroleum Corporation em comunicado citado pelo The New Arab.
Dez dias de escalada no Golfo
O confronto direto entre Irã e Estados Unidos acumula frentes desde o início da semana passada:
- o Comando Central dos EUA confirmou no domingo (19) a morte de um militar americano em ataque iraniano, e a rede ABC News contabiliza 17 militares mortos desde o início do confronto;
- um ataque iraniano matou militares americanos em base na Jordânia no começo da semana;
- os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, anunciaram bloqueio naval contra a Arábia Saudita;
- os EUA seguem bombardeando centros de comando, lançadores de mísseis e defesas aéreas em território iraniano.
O Kuwait, que abriga tropas americanas desde a Guerra do Golfo, vem sendo atingido de forma recorrente. Na semana passada, a defesa do país interceptou mísseis e drones em ataques que danificaram uma estação de energia e dessalinização de água, segundo o governo kuwaitiano citado pela ABC News.
A agência iraniana Mehr relatou explosões na região de Isfahan, no centro do Irã, na madrugada desta terça. Pouco depois, o governador da província negou a ocorrência à IRNA. Nenhuma das versões teve confirmação independente. Isfahan concentra instalações militares e nucleares iranianas e já foi alvo de bombardeios americanos em fases anteriores da escalada.
Do lado americano, o Comando Central afirma que os bombardeios contra o Irã miram centros de comando, capacidades navais, plataformas de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea.
Por que isso pesa no bolso do brasiliense
O objetivo declarado dos EUA é proteger a navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo. Uma interrupção prolongada da rota tende a encarecer o barril e pressionar o preço dos combustíveis no Brasil, movimento que o DistritoNews mostrou quando o Irã passou a ameaçar as rotas da região.
Segundo a ABC News, o Pentágono prepara opções para eventuais operações terrestres no Irã, que envolveriam milhares de militares. Não há decisão anunciada pela Casa Branca. Teerã promete manter as respostas enquanto os bombardeios continuarem, e os próximos dias devem indicar se o confronto caminha para negociação ou para uma nova fase.