Moraes nega visita de Milei a Bolsonaro e esvazia escala em Brasília
Visitas ao ex-presidente estão suspensas por 30 dias após divulgação de carta de teor eleitoral por Flávio Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou no sábado (18) o pedido para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visite Jair Bolsonaro no dia 25 de julho na casa onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, no condomínio Solar de Brasília.
Com a decisão, a passagem de Milei por Brasília fica sem o encontro que era o centro da agenda. O presidente argentino planejava escala na capital no dia 25 justamente para ver Bolsonaro, em viagem ligada à convenção nacional do PL que deve lançar o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência.
A comitiva argentina incluiria, além de Milei, a secretária-geral da Presidência e irmã do presidente, Karina Milei, o chanceler Pablo Quirno e um intérprete, segundo a CNN Brasil.
Por que Moraes negou
O motivo é a suspensão de visitas imposta ao ex-presidente. Desde a semana passada, Bolsonaro só pode receber médicos, fisioterapeutas e advogados. Todas as demais visitas, segundo a decisão, "estão em suspensão pelo prazo de trinta dias".
A restrição foi aplicada depois que o senador Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais, em 11 de julho, uma carta manuscrita e assinada pelo pai com manifestação de apoio à sua candidatura. A defesa alegou que o ex-presidente não sabia que o texto seria publicado, argumento rejeitado integralmente por Moraes.
Não é a primeira restrição do tipo no caso. Moraes já havia proibido as visitas do próprio Flávio ao pai em decisão anterior.
O que está em jogo
- Visita de Milei estava marcada para 25 de julho, na residência de Bolsonaro em Brasília;
- Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses em regime domiciliar, pela condenação na trama golpista, segundo a Agência Brasil;
- visitas estão suspensas por 30 dias, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados;
- a suspensão foi resposta à divulgação da carta de teor eleitoral em 11 de julho;
- comitiva argentina teria Karina Milei, o chanceler Pablo Quirno e um intérprete.
Convenção do PL segue no radar
A vinda de Milei ao Brasil está associada à convenção nacional do PL prevista para o dia 25, que deve oficializar o movimento de Flávio Bolsonaro rumo à disputa presidencial de 2026. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação sobre mudanças na agenda do presidente argentino após a negativa do STF.
Para Brasília, a decisão altera o desenho do evento: sem a ida ao Solar de Brasília, eventual presença de Milei na capital ficaria restrita à programação partidária e a compromissos oficiais que venham a ser anunciados. A defesa de Bolsonaro pode ainda recorrer ou renovar o pedido quando o prazo de 30 dias de suspensão terminar, em meados de agosto.