Política

STF nega mandado de busca contra Flávio Bolsonaro no Lago Sul e diz que a notícia é falsa

Nota do tribunal veio após relatos de que a PF estaria na mansão do senador, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta quarta-feira (28) uma nota em que nega ter ordenado ou cumprido busca e apreensão em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O comunicado veio depois que a imprensa noticiou que agentes da Polícia Federal (PF) estariam na mansão do parlamentar, no Lago Sul, em Brasília. As informações são da Agência Brasil.

Segundo a agência, a nota do tribunal diz: "É falsa a informação veiculada sobre a existência ou o cumprimento de qualquer mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro ou a seus endereços. Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão".

O texto da Agência Brasil não traz posicionamento da PF nem de Flávio Bolsonaro sobre a nota.

O contexto da nota

O senador perdeu a disputa presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito, segundo a agência, por mais de 4,4 milhões de votos de diferença no segundo turno, realizado em 25 de outubro. Depois do resultado, o ministro Alexandre de Moraes proibiu Flávio de sair do país e mandou apreender os passaportes dele. A decisão, ainda conforme a Agência Brasil, seguiu informação da PF sobre risco concreto de saída do território nacional.

Ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, o senador foi abordado por agentes e intimado a entregar o passaporte comum e o diplomático. Em vídeo nas redes sociais, ele disse que cumpriria a ordem e que nunca pensou em deixar o Brasil.

A agência relata que, na terça-feira (27), Flávio saiu do país por via terrestre, pela fronteira com a Argentina, e embarcou em um jatinho particular com destino aos Estados Unidos. Sobre o segundo turno em Brasília, o DistritoNews publicou a votação dos presos da Papuda.

Os inquéritos no Supremo

A apreensão dos passaportes saiu de um inquérito relatado por Moraes, no qual Flávio é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ao lado do advogado Willer Tomaz. Tomaz também deixou o país, rumo aos Estados Unidos, antes da eleição, informa a agência.

Há ainda um segundo inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, ligado ao caso Banco Master. Nele, o senador é investigado por ter pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. A PF identificou o pedido em mensagens extraídas do celular apreendido de Vorcaro, e o áudio foi revelado pelo site The Intercept Brasil. Flávio reconheceu a autoria do áudio e das mensagens, mas nega irregularidade e afirma que se tratou de captação de recursos privados.

Segundo a Agência Brasil, os dois inquéritos continuam em tramitação, apesar da saída do senador do país. A nota do STF não detalha se há outra medida em andamento contra Flávio Bolsonaro.