Política

PT, PCdoB e PV apoiam a reeleição de Hugo Motta na presidência da Câmara

Federação entra no bloco de centro, que pode chegar a 328 dos 513 deputados em 2027

Dois dias depois de Lula ser reeleito no segundo turno, a federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou na terça-feira, 27, que vai apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados na próxima legislatura. A informação consta de nota da Agência Câmara, que também registra a entrada das três siglas no bloco parlamentar de centro.

Esse bloco já reúne União, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania e Podemos. Com a adesão, segundo a agência, ele pode chegar a 328 deputados federais, dos 513 da Casa. A federação do PT terá 88 deputados em 2027. Os 328 do bloco correspondem a 63,9% da Casa, pouco menos de dois terços, e os 88 da federação respondem por mais de um quarto desse total.

Por que o tamanho do bloco importa

O Regimento Interno da Câmara usa o tamanho de cada bloco para distribuir as preferências nas comissões permanentes e os cargos da Mesa Diretora. Quanto maior o bloco, maior a fatia dessas vagas.

O líder do PT, Pedro Uczai (SC), disse que a composição serve para ampliar a governabilidade do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Estamos compondo com o bloco do centro, no espaço prático dentro da Casa, para permitir que a pauta avance”, afirmou. Ele citou como prioridades as pautas das mulheres, da soberania e dos direitos culturais, sociais e históricos.

A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), deu outra razão. “Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado”, disse, e afirmou que o objetivo do bloco é isolar a extrema-direita no Parlamento.

O que Motta já pautou, segundo o PV

O líder do PV, Aliel Machado (PR), lembrou que Motta se comprometeu nesta gestão com o fim da escala de trabalho 6x1 e com medidas para microempreendedores individuais. “O presidente Hugo colocou pautas extremamente importantes, como a escala 6x1 e os MEIs, mesmo em momentos difíceis”, declarou.

Os dois temas já passaram pelo DistritoNews. Sobre a escala, o portal contou como o governo retirou a urgência e Motta destravou a pauta. Sobre os MEIs, Motta prometeu votar até o fim do ano o reajuste da tabela do Simples Nacional.

A nota da Agência Câmara não traz posição do PL, maior bancada de oposição, nem de Motta sobre o apoio. O Republicanos também não aparece com declaração no texto. A eleição para a presidência da Câmara ocorre no início da nova legislatura, em fevereiro, quando os 513 eleitos em outubro tomam posse.