Estudo alerta para o melanoma que aparece fora da pele
Levantamento da Fundação do Câncer analisou 42.255 casos no Brasil; olho responde por 75% dos registros que não atingem a pele
Um levantamento da Fundação do Câncer divulgado nesta terça-feira (15) chama a atenção para uma forma menos conhecida da doença: o melanoma que surge fora da pele, em locais como o olho, as mucosas e o sistema digestório. O estudo analisou 42.255 casos registrados no Brasil entre 1990 e 2023.
Do total, 92,2% eram melanomas cutâneos, os que aparecem na pele e estão associados à exposição solar. Os demais se dividem entre melanomas oculares, com 5,7%, e melanomas de mucosa, com 2,1%. Entre 1990 e 2021, foram 1.324 casos de melanoma fora da pele contra 30.614 casos novos de melanoma cutâneo. Em 2023, a doença causou 2.047 mortes no país.
Onde a doença aparece
Entre os casos que não atingem a pele, o olho responde por 75% dos registros. Órgãos genitais concentram 12,8%, o sistema digestório, 8,2%, e há ainda ocorrências em mucosas orais. Os dados constam da 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, da Fundação do Câncer.
O problema dessas localizações é o diagnóstico. Uma mancha na pele que muda de cor ou de tamanho é visível e leva o paciente ao dermatologista. Um tumor atrás do olho ou na mucosa intestinal não dá sinal externo e costuma ser descoberto em estágio mais avançado, quando o tratamento tem menos resposta.
O melanoma cutâneo responde pela maior parte dos casos e tem fator de risco conhecido, a exposição ao sol sem proteção, o que o torna o tipo mais passível de prevenção. As campanhas de rastreamento orientam observar assimetria, bordas irregulares, variação de cor, diâmetro maior que seis milímetros e evolução da lesão ao longo do tempo.
Sinais que pedem avaliação
No melanoma ocular, o boletim lista visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual como sintomas que merecem consulta. Nenhum deles é exclusivo do câncer, e a maioria tem causas benignas, mas todos indicam a necessidade de exame oftalmológico em vez de espera.
O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, resumiu o objetivo do trabalho.
Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna.
O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer, Gélcio Mendes, apontou que as evidências para o uso de imunoterapia no melanoma extracutâneo ainda são escassas, o que limita as opções de tratamento disponíveis para esse grupo de pacientes.
A orientação vale para quem mora em Brasília como para o resto do país: consulta oftalmológica de rotina, atenção a lesões que mudam de aspecto em qualquer parte do corpo e procura de serviço de saúde diante de sintoma persistente. O diagnóstico precoce segue sendo o fator que mais muda o resultado, como já mostrou o caso do câncer de pulmão, diagnosticado em estágio avançado em 89,6% dos casos no SUS.
Os dados são do boletim da Fundação do Câncer divulgado pela Agência Brasil em 15 de setembro de 2026.