Sete em cada dez temem comprar remédio falsificado pela internet
Pesquisa encomendada pela Abrafarma ouviu 2.024 responsáveis pela compra de medicamentos no domicílio em julho
Sete em cada dez brasileiros responsáveis pela compra de medicamentos em casa temem receber produto falsificado ao fazer o pedido pela internet. O dado está em pesquisa do instituto QualiBest encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e divulgada nesta semana, em um momento em que a venda on-line de remédio se amplia no país.
O levantamento ouviu 2.024 pessoas que decidem a compra de medicamentos no domicílio, entre 13 e 17 de julho de 2026. O receio de falsificação aparece em 69% das respostas. Outros 59% temem comprar remédio vencido ou armazenado de forma inadequada, e 54% citam o risco de receber produto sem registro na Anvisa.
O que a pesquisa mediu
A desconfiança não vem da falta de familiaridade com o comércio eletrônico. Entre os entrevistados, 95% já compraram algo pela internet e 69% relatam ter tido alguma experiência negativa nesse tipo de compra. O problema, na leitura dos números, está no produto: 71% consideram que medicamento não pode ser tratado como mercadoria comum.
Os principais percentuais do levantamento:
- 69% temem adquirir medicamento falsificado;
- 59% temem produto vencido ou mal armazenado;
- 54% citam risco de item sem registro na Anvisa;
- 82% avaliam que a venda deve estar vinculada a uma farmácia autorizada;
- 78% dizem que a presença de farmacêutico aumenta a confiança;
- 85% atribuem às plataformas responsabilidade por remédio falsificado;
- 56% teriam dificuldade de saber a quem recorrer em caso de problema.
Para o presidente-executivo da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto, a conveniência do canal digital não substitui o controle sanitário. Ele defende que a venda on-line seja acompanhada de "regras claras, responsabilização e supervisão profissional".
O que muda para quem compra pelo aplicativo
O tema ganhou peso depois da liberação da venda de medicamentos por aplicativos e marketplaces, decidida pela Anvisa neste ano. Pela regra, quem vende continua sendo a farmácia registrada: o aplicativo funciona como intermediário do pedido e da entrega, e não como vendedor do produto. É essa distinção que 82% dos entrevistados dizem esperar do modelo.
Na Anvisa, o relator Daniel Pereira avaliou que a medida tem potencial para ampliar o acesso da população a medicamentos, mas ponderou que a mudança não afasta a existência de riscos sanitários relevantes. O ponto de atenção citado no debate é o mesmo apontado pela pesquisa: rastrear quem responde pelo produto quando algo dá errado.
Antes de fechar a compra, a checagem prática é curta:
- confira se o anúncio traz o nome, o CNPJ e o endereço da farmácia responsável pela venda;
- desconfie de preço muito abaixo do praticado no mercado, sinal citado pelo Procon como indício de irregularidade;
- verifique se a loja informa a autorização de funcionamento na Anvisa;
- guarde nota fiscal e comprovante de entrega, que são a base de qualquer reclamação;
- observe as condições da embalagem e do transporte na chegada, sobretudo em medicamento que exige refrigeração.
O diretor jurídico do Procon do Rio de Janeiro, Silvio Romero, resume o alerta de preço em uma frase: o consumidor deve desconfiar quando identificar ofertas "muito abaixo do valor de mercado, incompatíveis com o preço normalmente praticado".
Medicamento falsificado ou sem registro deve ser denunciado à Anvisa e à vigilância sanitária local. No Distrito Federal, a Diretoria de Vigilância Sanitária recebe denúncia sobre farmácia e drogaria, e o registro alimenta a fiscalização dos estabelecimentos. Leia também: Anvisa libera venda de medicamentos por farmácias em marketplaces.
A pesquisa não informa a margem de erro. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil em 21 de agosto.