Saúde

SBRT: homens com câncer de mama têm sobrevida de 80%, mas 30% chegam com metástase

Levantamento com dados do Inca aponta que o diagnóstico masculino costuma ocorrer mais tarde

Neste texto3 tópicos
  1. O que os registros mostram
  2. Pouco tecido, tumor que avança cedo
  3. Como se trata

A chance de sobreviver cinco anos ao câncer de mama passa de 80% entre os homens, e de 95% quando o tumor é achado ainda restrito à mama. O problema, segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), é que eles raramente chegam nessa fase: demoram a procurar médico por não saberem que o risco existe.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (13), no Outubro Rosa, e saem dos Registros Hospitalares de Câncer do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Entre 2020 e 2023, o sistema contabilizou mais de 163 mil casos de câncer de mama no país. Em 2.126 deles, o paciente era homem.

O que os registros mostram

  • 29,95% dos homens estavam no estágio IV, o da metástase, contra 26,42% das mulheres;
  • 3,41% dos homens tiveram o diagnóstico no estágio I, contra 5,45% das mulheres;
  • os estágios III e IV juntos somam 62,29% dos casos masculinos e 61,57% dos femininos.

Ou seja, o quadro avançado é frequente nos dois sexos. O que separa os grupos é a ponta mais grave, a da metástase, e a ponta mais favorável, a do tumor no início.

Pouco tecido, tumor que avança cedo

A rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, explica que o homem tem pouco tecido mamário. Por isso, o tumor pode alcançar a pele ou o músculo do peito sem ter crescido muito. A doença é rara no grupo, com menos de 1% dos casos, por causa do menor volume de tecido e da menor exposição ao estrogênio.

Entre os fatores de risco que ela cita estão mutações genéticas hereditárias, obesidade, histórico familiar e alterações hormonais. O presidente da SBRT, Wilson José de Almeida Jr., pede que a população saiba que a doença atinge homens e pode matar nos casos avançados.

Os sinais para observar: caroço no peito, mudança no mamilo e secreção, sobretudo com sangue. Qualquer um deles pede avaliação médica.

Como se trata

Com a doença localizada, a cirurgia é o tratamento principal, tanto para homens quanto para mulheres. Dependendo do tumor, entram também terapia hormonal, quimioterapia e radioterapia. Esta última, diz Denise Ferreira, ajuda a reduzir o risco de recidiva na região operada, e as técnicas atuais preservam mais o tecido saudável ao redor.

Para dimensionar o problema, o Inca projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil de 2026 a 2028, dos quais 78.610 de mama, cerca de 10% do total. Na população feminina, é o tipo mais frequente, com 30% das estimativas, excluindo o câncer de pele não melanoma.

No Distrito Federal, a campanha também alcançou o medicamento: o DistritoNews registrou em setembro a apreensão de lotes falsificados do Phesgo, usado no tratamento do câncer de mama.

Fonte: Agência Brasil (13/10/2026), com dados da SBRT e do Inca.

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