SES avalia rescindir contrato após morte de bebê em transferência
Relatório médico aponta extubação acidental na troca de leito de Maria Vitória, de 5 meses; secretário admite romper com empresa de UTI móvel se falha for confirmada
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) avalia rescindir o contrato com a empresa terceirizada de UTI móvel envolvida na morte de Maria Vitória, bebê de 5 meses que faleceu no dia 6 de julho durante transferência entre o Hospital Regional de Planaltina (HRP) e o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). A possibilidade foi admitida pelo secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, na quinta-feira (16).
Segundo relatório médico citado pela família e divulgado pela imprensa local, a criança chegou ao Hospital da Criança em estado grave, mas com sinais vitais presentes. Durante a troca de leito, ela teria sido extubada acidentalmente, sofreu parada cardíaca e não resistiu.
A denúncia partiu da família, que tornou o caso público e cobrou explicações sobre a conduta da equipe responsável pelo transporte. A extubação é a retirada do tubo que garante a respiração mecânica de um paciente grave. Quando ocorre de forma acidental em uma criança dependente de ventilação, a interrupção do fluxo de oxigênio pode levar à parada cardiorrespiratória em poucos minutos.
O que diz o secretário
"Caso seja confirmada alguma irregularidade, estamos avaliando a possibilidade de rescisão contratual", afirmou Juracy Cavalcante, ao comentar a apuração sobre a empresa responsável pelo transporte em UTI móvel.
O secretário disse ainda que a pasta investiga se houve inconsistência ou imperícia durante o transporte da criança. A SES-DF instaurou apuração interna baseada no Protocolo de Londres, metodologia usada na rede pública para revisar possíveis falhas assistenciais em eventos graves. Em nota, a pasta informou que determinou apuração imediata do caso, conduzida com prioridade, para verificar se houve falha no atendimento.
A empresa terceirizada responsável pelo serviço de UTI móvel presta atendimento à rede pública do DF há pelo menos dois anos, segundo o Correio Braziliense. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública da contratada sobre o caso.
O caso
Maria Vitória foi internada na rede pública em estado grave, com diagnóstico de covid-19, e precisou ser transferida de Planaltina para o Hospital da Criança, referência em terapia intensiva pediátrica no DF. A morte ocorreu no mesmo dia da transferência.
- Data do óbito: 6 de julho de 2026;
- Trajeto: Hospital Regional de Planaltina (HRP) para o Hospital da Criança (HCB);
- Apontamento do relatório médico: extubação acidental na troca de leito;
- Apuração: investigação interna da SES-DF e inquérito policial.
Segundo o Metrópoles, o caso é investigado pela 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina. A perícia e os depoimentos devem definir se houve falha humana no manejo do tubo que garantia a respiração da criança.
Crise na saúde do DF
A morte de Maria Vitória se soma a uma sequência de episódios graves na rede pública de saúde do DF nas últimas semanas, como a morte de uma grávida de 41 semanas no Hospital Regional de Samambaia e o óbito de um paciente na entrada do Hospital de Base, ambos também sob investigação.
O Ministério Público do DF e Territórios tem cobrado providências estruturais da pasta, incluindo a realização de concurso público para suprir o déficit de pessoal na rede. A SES-DF afirma que as apurações dos casos recentes correm com prioridade.