PCDF investiga motorista de app que usava corridas para vender cocaína
Operação Delivery cumpriu mandados em três imóveis no Bairro Tradicional, em São Sebastião; a Justiça negou a prisão preventiva do suspeito
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um motorista de aplicativo de 33 anos suspeito de usar as corridas da plataforma como disfarce para vender e entregar cocaína em São Sebastião. A Operação Delivery foi deflagrada em 17 de julho pela Seção de Repressão às Drogas da 30ª Delegacia de Polícia, responsável pela região administrativa.
Segundo a apuração divulgada pelo Correio Braziliense, o método atrapalhava a identificação da atividade criminosa, porque as entregas se confundiam com a rotina normal de trabalho de quem dirige por aplicativo. Os deslocamentos com passageiro e sem passageiro passavam a ter a mesma aparência para quem observasse de fora.
"A investigação apurou que o homem usava as corridas como disfarce para vender entorpecentes", registrou a corporação sobre o caso.
O que foi cumprido e apreendido
Os policiais executaram mandados de busca e apreensão e de afastamento do sigilo telemático do investigado. As ordens judiciais foram cumpridas em três imóveis do Bairro Tradicional, em São Sebastião. Nas buscas, a equipe apreendeu:
- duas embalagens com substância identificada como cocaína;
- uma balança de precisão;
- quatro aparelhos celulares.
A balança e os celulares são os itens que costumam sustentar a tese de comércio, e não de consumo próprio, em investigações desse tipo. O afastamento do sigilo telemático permite à polícia acessar registros de comunicação do investigado, incluindo conversas e contatos armazenados nos aparelhos.
Justiça negou a prisão preventiva
A autoridade policial representou pela prisão preventiva do suspeito e o Ministério Público se manifestou de forma favorável ao pedido. A Justiça negou. O homem responde ao inquérito em liberdade, e a investigação segue em curso na 30ª DP.
Não houve divulgação, até a publicação desta reportagem, de decisão sobre indiciamento nem de eventual denúncia oferecida ao Judiciário. A PCDF também não informou o volume total de entorpecente que teria sido comercializado no período investigado, e nenhum valor estimado foi apresentado.
São Sebastião em série de ocorrências
A região administrativa concentrou outras ações de repressão ao tráfico nos últimos meses. Em julho, a Polícia Militar apreendeu drogas e prendeu um suspeito durante fiscalização na região, e uma outra operação teve três pessoas como alvo em apuração ligada ao comércio de entorpecentes na mesma cidade.
O uso de plataformas de transporte e de entrega para distribuição de drogas é apontado por delegacias especializadas como uma adaptação logística: reduz a exposição do vendedor em pontos fixos e dilui o deslocamento na rotina urbana. O ponto de partida da apuração, nesses casos, costuma ser a quebra de sigilo dos aplicativos de mensagem, e não a abordagem em via pública.
Como denunciar
Denúncias sobre tráfico de drogas podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197, da Polícia Civil do Distrito Federal, e pelo 190, da Polícia Militar, em situações de flagrante. O anonimato é assegurado ao denunciante.
Leia também: PCDF prende três de grupo que extorquia usuários de app no DF.