Brasil

Brasileiras na Polônia procuram a embaixada após eurodeputado expor foto delas com broche do PT

Dominik Tarczyński pediu "informações" sobre as duas no dia do primeiro turno; Itamaraty diz que acompanha o caso

Duas brasileiras que moram na Polônia procuraram a Embaixada do Brasil em Varsóvia depois que o eurodeputado polonês Dominik Tarczyński, de extrema direita, publicou na rede X uma foto delas e pediu informações "em caráter de urgência" sobre as mulheres. O Itamaraty informou que acompanha o caso e que o setor consular está à disposição para prestar assistência, se as duas pedirem.

O que Tarczyński publicou

A postagem é do dia do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, domingo (4), segundo a Agência Brasil. Na foto, as duas fazem com as mãos a letra L, símbolo da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e uma delas usa um broche do partido. A legenda, em polonês, pedia que quem tivesse informações sobre as mulheres entrasse em contato por mensagem direta, com a palavra "urgente". Para o SBT News, a imagem mostra as duas em frente ao consulado brasileiro.

Na segunda-feira (5), de acordo com o SBT News, o eurodeputado voltou ao assunto, defendeu a deportação das brasileiras e pediu votos em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Essa publicação trazia uma imagem feita com inteligência artificial em que uma das mulheres aparece com as malas prontas e a frase "de volta para a minha Terra". O veículo informou que o post passou de 1,2 milhão de curtidas e de 175 mil comentários, boa parte de usuários brasileiros.

Tarczyński integra o grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus no Parlamento Europeu e é apoiador de Donald Trump, de acordo com a Agência Brasil. Um dia antes de expor as brasileiras, ele havia divulgado uma foto ao lado de Flávio e de Eduardo Bolsonaro, parabenizando o candidato do PL pelo resultado do primeiro turno. Eduardo, que mora nos Estados Unidos, foi condenado no Brasil por coação no curso do processo.

O argumento sobre o broche e a posição do Itamaraty

Segundo o SBT News, a legislação polonesa proíbe adereços que façam apologia de regimes totalitários, como o nazismo e o comunismo. A estrela vermelha do broche lembra o símbolo da extinta União Soviética, mas as inscrições mostram que se trata do partido brasileiro. O texto não informa se há algum procedimento aberto na Polônia contra as duas mulheres.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que a embaixada "foi notificada da situação pelas cidadãs brasileiras" e que o setor consular se colocou à disposição para prestar assistência às nacionais, caso solicitado. O Itamaraty não divulgou os nomes das duas, e os veículos que acompanharam o caso também não as identificaram. O SBT News enviou mensagem a Tarczyński na própria rede X e não teve retorno até a publicação da reportagem.

Outros casos de brasileiros e de figuras do debate eleitoral alvo de ameaças ou restrições ganharam espaço na campanha. O DistritoNews noticiou que o governo acionou o Ministério dos Direitos Humanos e a Polícia Federal após ameaças de morte à deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) e que um jornalista que mora em Brasília foi deportado da Argentina.