CLDF liquida R$ 606,9 mi até setembro; investimentos caem 79%
Extrato publicado no Diário da Câmara Legislativa mostra gasto 8% maior que o de 2025
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A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) liquidou R$ 606,9 milhões em despesas de janeiro a setembro de 2026, o equivalente a 61% da dotação autorizada para o ano, de R$ 998,3 milhões. O valor é 8% maior que o dos mesmos nove meses de 2025 (R$ 561,7 milhões), e os investimentos caíram 79%. Os números constam do extrato do relatório de execução orçamentária publicado no Diário da Câmara Legislativa nº 222, desta sexta-feira (23).
O documento é assinado pelo Setor de Elaboração Orçamentária da Casa e foi datado de 22 de outubro. A íntegra está no Portal da Transparência da CLDF.
Onde o dinheiro foi
Pessoal e encargos sociais somaram R$ 475,8 milhões, alta de 4,4% (R$ 20,1 milhões a mais). Só a administração de pessoal ficou em R$ 463,1 milhões, 76% de tudo o que a Casa liquidou. Com a concessão de benefícios a servidores (R$ 50,7 milhões), as duas rubricas respondem por 85% do total.
| Grupo de despesa | Jan-set 2025 | Jan-set 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Pessoal e encargos | R$ 455,7 mi | R$ 475,8 mi | +4,4% |
| Outras despesas correntes | R$ 93,3 mi | R$ 128,5 mi | +37,7% |
| Investimentos | R$ 12,6 mi | R$ 2,6 mi | -79,3% |
| Total liquidado | R$ 561,7 mi | R$ 606,9 mi | +8,0% |
As outras despesas correntes cresceram R$ 35,1 milhões. O salto maior veio dos ressarcimentos ao Fascal, o fundo de assistência à saúde de deputados e servidores: R$ 14,5 milhões neste ano, contra R$ 1,3 milhão em 2025 (+1.011,8%). Os benefícios a servidores subiram 27,3%, e a gestão de tecnologia da informação, 37,4%.
Publicidade: uma rubrica sobe, outra some
A publicidade institucional da CLDF passou de R$ 6,7 milhões para R$ 18,0 milhões (+169,3%). A de utilidade pública fez o caminho inverso: de R$ 9,2 milhões para R$ 0,2 milhão (-97,8%). Somadas as quatro linhas de comunicação social (as duas publicidades, a TV e a rádio legislativas), a conta fecha em R$ 24,6 milhões, 12,3% acima dos R$ 21,9 milhões de 2025. Ou seja, a variação das duas rubricas de publicidade se compensa em boa parte.
Investimentos: R$ 2,6 milhões de R$ 38,9 milhões
Dos R$ 38,9 milhões autorizados para investimentos em 2026, a Casa liquidou R$ 2,6 milhões, ou 6,7%. A modernização de sistemas de informação caiu de R$ 8,3 milhões para R$ 1,2 milhão (-85%), e o funcionamento da TV Legislativa zerou o investimento, que era de R$ 1,8 milhão. Reformas e benfeitorias no edifício-sede ficaram estáveis, em R$ 0,7 milhão.
A comparação exige uma ressalva que consta da própria tabela. Em 2025 inteiro, o grupo chegou a R$ 29,6 milhões, contando restos a pagar, e a tecnologia da informação sozinha respondeu por R$ 23,9 milhões. Isso quer dizer que R$ 17 milhões do investimento de 2025 vieram depois de setembro, entre liquidações e restos a pagar. O extrato não projeta quanto de 2026 ainda será executado até dezembro.
Limite da Lei de Responsabilidade Fiscal
O extrato informa que a CLDF segue abaixo dos limites prudencial e máximo da Lei de Responsabilidade Fiscal. O indicador de despesa total com pessoal sobre a receita corrente líquida ficou em 1,44% em setembro, resultado dos últimos 12 meses. A Casa atribui o percentual baixo ao avanço da receita: as receitas de impostos, taxas e contribuições de melhoria cresceram mais de 20% (R$ 3,6 bilhões), e o componente do Fundo Constitucional do DF na receita subiu 32% (R$ 369,5 milhões).
O próprio texto avisa que esse indicador "registra o passado". As leis 7.857/2026, que criou a Gratificação de Atividade Policial, e 7.858/2026, que alterou tabelas salariais e a Gratificação de Atividade Legislativa, valem desde abril. O extrato lista seis medidas administrativas e legais sobre pessoal que só completam 12 meses de efeito entre novembro de 2026 e junho de 2027, e projeta crescimento anualizado de 5,5% da receita corrente líquida entre outubro e dezembro.
Sobre o custo da política na Casa, o DistritoNews mostrou também quanto os distritais eleitos gastaram por voto. Para o quadro do Executivo, há o balanço da execução do GDF até agosto.