Política

Kassab diz que Flávio dividiu o centro e que o governo Lula já procurou o PSD

Kassab diz que o PSD pode ter relação mais profunda com o governo Lula se o Planalto sinalizar ao centro e adotar medidas econômicas.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que o governo Lula já procurou o partido e que a relação pode ficar mais próxima no quarto mandato do petista. Kassab atribuiu a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) sobretudo a erros do próprio candidato e à forma como a campanha do PT explorou essas fragilidades. A entrevista foi resumida neste sábado (31) pelo Jornal de Brasília, em texto do Estadão Conteúdo.

A seguir, o que Kassab disse, com a atribuição de cada trecho.

O que ele disse sobre a derrota de Flávio

Para Kassab, ao escolher Flávio como candidato, a direita “dividiu o centro com o Lula”. O senador teria perdido apoio à medida que ficou mais conhecido fora do Rio de Janeiro, em outubro. “Ele acabou assustando falando em mexer na Constituição”, disse o presidente do PSD, que citou ainda a rejeição ao “linguajar” de Flávio e a “falta de postura nos debates”.

Segundo Kassab, o PT soube acionar o “medo” da volta do bolsonarismo. Ele afirmou também que as manifestações espontâneas nas ruas e a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG) reforçaram a importância da comunicação digital. Sobre Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e quinto colocado na disputa presidencial, disse que ele não conseguiu atrair eleitores que rejeitavam tanto Lula quanto Flávio. A polarização, na avaliação de Kassab, “ainda não foi quebrada”.

Condições para o PSD se aproximar do governo

O presidente do PSD disse que o partido pode se aproximar do novo governo se o Planalto sinalizar para o centro e adotar medidas na área econômica. “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, afirmou, acrescentando que a legenda poderá ter uma “relação mais profunda” com o governo. Ele disse que Lula precisará unir o país e ampliar o apoio, o que, em sua avaliação, não ocorreu no terceiro mandato, e que o presidente deve colocar à frente da economia nomes como Antonio Palocci e Henrique Meirelles, para dar tranquilidade e equilíbrio fiscal.

Kassab lembrou que o PSD comandou três ministérios no governo anterior sem se declarar oficialmente da base. Em 2023, segundo ele, a legenda decidiu que, “se o Planalto convidasse filiados, teria a nossa compreensão”. Perguntado se aceitaria ser ministro de um quarto governo Lula, respondeu: “Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”.

O dirigente ainda discordou de que a corrupção tenha perdido peso no eleitorado. Comparou o clima do segundo turno ao de 2013, com “indignação”, e alertou para “movimentos perigosos” se os partidos não endurecerem o discurso anticorrupção.

Os textos consultados não trazem resposta do Palácio do Planalto nem do PT às declarações. As frases acima estão atribuídas ao relato do Estadão Conteúdo sobre a entrevista ao O Globo, e a íntegra da conversa não foi reproduzida. Sobre a pauta que o Congresso tem pela frente, o DistritoNews publicou a agenda do Congresso até dezembro e a votação da PEC da Segurança no Senado na terça-feira (3).