Fonteles na Fazenda? Disputa entre alas do PT define quem manda na economia de Lula
Reportagem da Folha mostra quatro grupos do partido de olho na pasta e na equipe econômica do quarto mandato
A escolha do próximo ministro da Fazenda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer depois de um período de descanso, abriu uma disputa de bastidores entre alas do PT sobre quem vai ditar a política econômica até a eleição de 2030. O nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, passou a ser o mais citado, e com ele cresceu a pressão interna, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada pelo Jornal de Brasília neste sábado, 31.
Fonteles, de 41 anos, é visto com simpatia por parte do mercado financeiro. A Folha relata que críticos dentro do PT, em grupos de economistas do partido que incluem o ex-ministro Guido Mantega e o ex-diretor do FMI Paulo Nogueira Batista, usam essa preferência como argumento: temem que ele patrocine um corte forte de despesas, nos moldes do ajuste prometido pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno.
O governador respondeu em entrevista à própria Folha que pretende conciliar um governo mais ousado na área social com responsabilidade fiscal. Ele também negou ter conversado com Lula sobre um cargo no governo federal, de acordo com o site Muita Informação. Auxiliares do presidente, segundo a Folha, consideram a fala alinhada ao que Lula quer: dar mais “frescor” ao quarto mandato.
Quem disputa influência
A reportagem descreve ao menos quatro grupos. O primeiro é o dos jovens do PT do Nordeste, que entrou no núcleo da campanha depois de Lula ficar em segundo lugar no primeiro turno. Fonteles faz parte dele, assim como o senador Camilo Santana (PT-CE).
O segundo é o grupo da Bahia, comandado pelo senador Rui Costa, de 63 anos, da ala desenvolvimentista. Costa e Miriam Belchior, que o substituiu na Casa Civil durante a campanha, seguem com muita influência junto a Lula, segundo a Folha. Do grupo faz parte o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, ex-secretário de Costa e cotado para continuar no cargo. Moretti é um dos formuladores das medidas orçamentárias de ajuste que Lula vai decidir depois do descanso.
O terceiro é o de São Paulo, de Fernando Haddad, 63 anos. Ele indicou Dario Durigan, de 42, para sucedê-lo na Fazenda quando saiu para disputar o governo paulista, derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo a Folha. Adversários internos tentam usar o resultado para reduzir a influência de Haddad, o que enfraquece também as chances de Durigan. Aliados do ex-ministro, por sua vez, defendem que ele assuma a Casa Civil.
O quarto é a “velha guarda”, com nomes como Aloizio Mercadante (BNDES), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) e Luiz Marinho (Trabalho).
O que dizem os cotados
Durigan chamou Fonteles de “excelente nome” para a pasta, mas afirmou que ainda não há definição sobre a composição da próxima equipe econômica, segundo o SBT News. Outras reportagens do fim de outubro, como a da Reuters, também colocam o vice-presidente Geraldo Alckmin entre os cotados e ligam a decisão sobre a Fazenda ao destino de Haddad.
O DistritoNews já tratou de outros temas da pasta, como o empréstimo de R$ 7 bilhões dos Correios com garantia do Tesouro e a PEC da autonomia do Banco Central.
Até a publicação, Lula não havia anunciado o novo ministro. A Folha informa que as decisões sobre as medidas de ajuste fiscal ficam para depois do descanso do presidente.