Política

Múcio Botelho quer tirar a cultura do DF da dependência de emendas

Distrital eleito pelo PSB propõe equipamentos públicos permanentes e orçamento próprio para a Secretaria de Cultura

Neste texto4 tópicos
  1. O que ele critica no modelo atual
  2. O que ele propõe no lugar
  3. Mesa Diretora e comissões
  4. Posição sobre o governo

O deputado distrital eleito Múcio Botelho (PSB) quer mudar a forma como a cultura é financiada no Distrito Federal: tirar o setor da dependência de emendas parlamentares e criar equipamentos públicos permanentes. A proposta está na entrevista que ele deu ao JBr Entrevista, do Jornal de Brasília, publicada nesta segunda-feira (2). Músico, integrante da banda Lupa e servidor de carreira da Câmara Legislativa, ele diz ter recebido mais de 42 mil votos.

O que ele critica no modelo atual

Para Múcio, o financiamento cultural no DF "foi reduzido à emenda parlamentar", e esse dinheiro sustenta basicamente um tipo de evento. "Você sobe palco, desce palco, o artista recebe pouco ou nada, e nada fica para a cidade", disse ao jornal. Ele afirma que o modelo beneficia donos de tenda, de som e de iluminação, além de parceiros de deputados que executam as emendas.

O distrital eleito defende que a Secretaria de Cultura tenha orçamento próprio, que não possa ser contingenciado. Também quer elevar o teto de captação de recursos junto a empresas, hoje limitado, na avaliação dele, por dificuldades que afastam os patrocinadores.

O que ele propõe no lugar

A lista de propostas citada na entrevista tem três frentes:

  • direcionar recursos a espaços públicos permanentes, com tratamento acústico e programação o ano todo;
  • construir novos equipamentos onde faltarem;
  • expandir o Amplifica, projeto de que se diz entusiasta e que, segundo ele, teria poupado quatro anos e cerca de R$ 40 mil no início da carreira.

Múcio também cobra uma política de formação de audiência e diz que pequenas e médias casas de show da cidade são "perseguidas", porque Brasília trataria a noite como problema.

Mesa Diretora e comissões

Sobre a disputa pela Mesa Diretora da CLDF, ele afirma que "faltam dois meses" e que quem aponta o desfecho agora "está mentindo". Diz que vai conversar com todos os grupos e que prefere um consenso a uma disputa "violenta" dentro da Casa. Entre as comissões, a preferência é a de Constituição e Justiça (CCJ), como membro titular.

Ele quer ainda criar na Câmara um setor de fiscalização permanente de políticas públicas, tocado por servidores de carreira. Cita como exemplo a Comissão de Transportes, que, segundo ele, deixou de ser irrelevante quando o distrital Max Maciel (PSOL) passou a atuar nela. O mesmo teria ocorrido com Fábio Felix (PSOL) nas comissões de Direitos Humanos, Saúde e Educação.

Posição sobre o governo

Múcio, que se apresenta como oposição, afirma que não ataca a governadora Celina Leão (PP) pessoalmente: "Ataco a gestão". Ele afirma ter sido o único da oposição a não receber processo da gestão, e cita como exemplo de campanha o vídeo sobre o transporte noturno para o Itapoã, em que mostra um trabalhador que sai do turno à meia-noite e chega em casa às 4h40. O texto do JBr não traz resposta do governo às críticas.

Os 24 distritais eleitos tomam posse em janeiro, em 6 de janeiro, segundo o roteiro da CLDF. A composição das bancadas, com o PL em 5 das 24 cadeiras, está no levantamento do DistritoNews sobre a nova CLDF.