Política

Trump diz que Flávio Bolsonaro pode ficar nos EUA "quanto tempo quiser" e descarta encontro

Declaração foi dada em Mar-a-Lago; Rubio nega participação do governo americano na viagem do senador

Neste texto3 tópicos
  1. A posição do Departamento de Estado
  2. O que já se sabe sobre a saída do país
  3. Reflexo na diplomacia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 31, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ficar no país "quanto tempo quiser". A declaração foi dada a jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, segundo a Gazeta do Povo e a Revista Oeste. Trump acrescentou que não tem planos de se encontrar com o parlamentar.

Segundo a Gazeta do Povo, o republicano disse que Flávio foi tratado de forma injusta e repetiu que a eleição brasileira foi uma "vergonha". O senador perdeu o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro e deixou o Brasil dias depois.

A posição do Departamento de Estado

No mesmo sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo americano não participou dos arranjos da viagem. "Nós não estávamos envolvidos em nenhum arranjo feito para que ele deixasse o Brasil", declarou, conforme a Gazeta do Povo. Rubio afirmou que Trump deixou claro que, se Flávio chegasse a uma alfândega nos Estados Unidos, receberia permissão para entrar, "e ele recebeu".

A versão enfrenta questionamentos. A Gazeta do Povo registra que veículos de imprensa da Argentina e dos Estados Unidos afirmaram que agentes do governo americano teriam participado da coordenação da viagem, e a Agência Brasil informa que parlamentares democratas enviaram carta a Rubio sobre uma suposta ajuda da Casa Branca. Nenhuma das publicações apresenta documento que comprove essa participação, e o governo americano nega.

O que já se sabe sobre a saída do país

Em 27 de outubro, o Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e à família, de acordo com o Poder360. Na madrugada de 28, a Direção Nacional de Migrações da Argentina declarou que o senador, a mulher e as duas filhas entraram pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às 22h50, e embarcaram às 23h30 em voo privado para Guayaquil, no Equador.

A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção dos passaportes comum e diplomático do senador e proibi-lo de deixar o território brasileiro. A decisão faz parte de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. A Agência Brasil acrescenta que a Polícia Federal também apura o pagamento de R$ 60 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega qualquer irregularidade.

O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que a direção do partido não foi informada da viagem e que recebeu de Flávio, na manhã de 27, uma mensagem em que ele afirmava que iria "dar um tempo".

Reflexo na diplomacia

O tema chegou à reunião de chanceleres do G20 em Atlanta. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Rubio conversaram brevemente no coquetel de sexta-feira, 30, e combinaram um encontro bilateral antes da cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami, informou a Agência Brasil. Na noite de quinta-feira, 29, o Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina em Brasília sobre a passagem do senador pelo território argentino, e o chanceler Pablo Quirno nega que tenha havido pedido de explicações, como o DistritoNews detalhou na cobertura da convocação.

Na política interna, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse ao jornal O Globo que a direita "dividiu o centro com o Lula" ao escolher Flávio como candidato, conforme a reportagem sobre a entrevista. A defesa de Flávio não havia comentado a declaração de Trump até a publicação desta reportagem. A Polícia Federal apura como ocorreu a saída do país, e o desfecho das investigações no STF segue em aberto.

Fontes: Gazeta do Povo, Revista Oeste, Poder360 e Agência Brasil.