Seguranca

MJ detalha operação que barrou plano de ataques a prédios em Brasília

Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados em cinco estados após monitoramento de grupos no Telegram

O Ministério da Justiça e Segurança Pública detalhou os resultados da Operação Rede Interrompida, que desarticulou um grupo que planejava ataques a prédios públicos no centro de Brasília durante o período eleitoral. A ação foi deflagrada em 4 de agosto pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com oito mandados de busca e apreensão cumpridos em cinco estados.

Os alvos discutidos pelo grupo incluíam invasões a construções da Esplanada dos Ministérios e ao Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro, e um atentado a bomba durante debates eleitorais, segundo o ministério. Os mandados foram cumpridos em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com apoio das polícias desses estados.

Como a investigação chegou ao grupo

O ponto de partida foi um relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que monitorou conversas em grupos abertos do Telegram a partir da primeira quinzena de junho. Os relatórios de inteligência foram compartilhados com os órgãos competentes, e a apuração passou à PCDF.

Além do planejamento de atos violentos, o material analisado trazia disseminação de conteúdo neonazista, antissemita e misógino. Os oito investigados têm entre 19 e 31 anos e não possuíam antecedentes criminais, segundo as informações apresentadas pelas autoridades.

"Havia a necessidade de uma atuação rápida e integrada para que não tivesse a possibilidade de ocorrer qualquer sinistro", afirmou Anchieta Nery, diretor de Operações Integradas e Inteligência da Senasp.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, disse que a pasta "cumpriu seu papel de articulador nacional" na operação. Participaram ainda da apresentação o delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, o coordenador de Inteligência da corporação, Maurílio Coelho, e a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho.

Por que Brasília é o alvo recorrente

A concentração dos três Poderes em um raio de poucos quilômetros faz da capital o endereço preferencial desse tipo de planejamento. A Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes e o STF já foram alvo de ataque consumado em 8 de janeiro de 2023 e voltaram a aparecer em investigações sobre células radicalizadas organizadas pela internet.

O calendário eleitoral acrescenta um fator de risco. As datas citadas nas conversas coincidiam com outubro, mês do primeiro turno, e com a realização de debates entre candidatos, eventos que reúnem público, imprensa e estrutura de transmissão em locais previsíveis.

A PCDF tem atuado em outras frentes ligadas a grupos organizados em plataformas digitais. Em ação anterior, a corporação frustrou planos de ataque a escolas em Taguatinga e Ceilândia.

A atuação em rede também explica a geografia da operação. Nenhum dos endereços alvo fica no Distrito Federal: os investigados se articulavam a distância, por plataforma de mensagens, e escolheram como alvo uma cidade em que nenhum deles mora. Esse desenho tem aparecido em investigações recentes sobre extremismo online, em que a coordenação ocorre em grupo aberto e a execução é delegada a quem estiver disposto a agir.

O que vem agora

O material apreendido nos oito endereços será analisado, o que pode ampliar o número de investigados e detalhar o grau de organização da rede. A investigação segue sob condução da Polícia Civil do DF, com apoio das forças estaduais e do Ciberlab. Não há, até o momento, informação sobre denúncia formal apresentada pelo Ministério Público.

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