Economia

Caixa pede dissídio no TST após mediação sem acordo e greve chega ao 15º dia

A Caixa levou a greve ao TST nesta quinta. Veja o que muda com o dissídio, por que o Saúde Caixa travou a mesa e o que resolver sem ir à agência.

Neste texto5 tópicos
  1. O que muda com o dissídio coletivo
  2. Por que a greve não terminou na assembleia
  3. Por que a decisão sai em Brasília
  4. O que o cliente resolve com a agência fechada
  5. Quando sai a próxima definição

A Caixa Econômica Federal levou a greve dos seus empregados para o Tribunal Superior do Trabalho. O banco protocolou um pedido de dissídio coletivo na manhã desta quinta-feira, um dia depois de a mediação conduzida pela Vice-Presidência do TST terminar sem acordo. A paralisação começou em 10 de setembro e chega ao 15º dia com agências fechadas no Distrito Federal e no resto do país.

A sessão de mediação foi realizada na quarta-feira, 23, na sede do Tribunal, no Setor de Administração Federal Sul, a pedido do Ministério Público do Trabalho. Participaram a Caixa, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec). Na nota publicada no mesmo dia, o TST registrou que, "apesar dos esforços empreendidos, não foi possível alcançar um acordo", e acrescentou que "as partes podem buscar um acordo a qualquer tempo". A íntegra está na página de notícias do TST.

O que muda com o dissídio coletivo

Ao ajuizar o dissídio, a Caixa transfere ao Tribunal a decisão sobre as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028 que as duas partes não conseguiram fechar na mesa. O banco informou que mantém os compromissos assumidos na última proposta levada à assembleia e que esses pontos não integram o pedido protocolado.

O processo não vai direto a julgamento. Ele começa pela Vice-Presidência, que faz nova tentativa de conciliação. Só depois, se o impasse continuar, chega à Seção de Dissídios Coletivos.

Tabela com as cinco etapas do dissídio coletivo no TST, da conciliação ao julgamento pela Seção de Dissídios Coletivos
O pedido da Caixa começa por nova tentativa de conciliação e só chega a julgamento se o impasse continuarArte: DistritoNews

O movimento sindical reagiu mantendo a greve. "O Comando Nacional dos Bancários buscou, desde o início, uma solução negociada", afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional. Luiza Hansen, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, disse lamentar "que tenha sido ajuizado o dissídio" e defendeu que "a negociação sempre é a melhor forma de se chegar à solução".

Por que a greve não terminou na assembleia

Em 21 de setembro, 102 bases sindicais rejeitaram a proposta do banco e 30 aprovaram. Brasília votou com a maioria que disse não. O centro da disputa é o Saúde Caixa, o plano de saúde dos empregados.

Hoje a participação do banco no custeio tem teto de 6,5% da folha de pagamento. A proposta rejeitada elevava esse teto para 9% a partir de 2027, sem reajuste de mensalidade em 2026. Os empregados reivindicam a volta da divisão de 70% pagos pela Caixa e 30% pelos trabalhadores, modelo que valia antes das mudanças no plano.

A Caixa negocia em mesa própria porque, além da Convenção Coletiva da categoria bancária, já assinada pelos demais bancos, tem um acordo específico. É nele que entra o Saúde Caixa, e foi esse ponto que travou a negociação.

Por que a decisão sai em Brasília

O TST julga em última instância os conflitos coletivos de trabalho de alcance nacional, e fica no Distrito Federal. Quando uma greve de categoria nacional chega ao Judiciário trabalhista, é na Asa Sul que a decisão é tomada. Foi assim na greve dos Correios, que também está em julgamento no Tribunal nesta semana.

Leia também: o adiamento do julgamento da greve dos Correios e o prazo dado ao sindicato.

O que o cliente resolve com a agência fechada

O que trava na greve é o atendimento de balcão: assinatura de contrato, conferência de documento, negociação de dívida presencial e abertura de conta com atendente. Os canais que não dependem de funcionário no guichê seguem no ar.

ServiçoSituaçãoOnde resolver
Bolsa Família e BPCCalendário mantido, crédito automáticoCaixa Tem, caixas eletrônicos e lotéricas
Saque do FGTSFuncionandoAplicativo FGTS, com transferência para conta de qualquer banco
Abono salarial e seguro-desempregoCalendário mantidoCaixa Tem e caixas eletrônicos
Contas, boletos e PixFuncionandoAplicativo Caixa, internet banking, lotéricas e Caixa Aqui
Financiamento habitacionalPode ficar represadoAgência, sujeito à adesão do dia

As casas lotéricas são franquias e não integram o movimento dos bancários, assim como os correspondentes Caixa Aqui. As duas redes continuam pagando benefício social e recebendo conta.

Leia também: o que a lei de greve obriga a manter funcionando e a partir de quando a paralisação vira abuso.

Quando sai a próxima definição

A próxima etapa depende da Vice-Presidência do TST, que vai chamar Caixa e sindicatos para nova tentativa de conciliação antes de o processo seguir para a Seção de Dissídios Coletivos. Não há data marcada. Quem tem atendimento agendado em agência no DF deve confirmar o funcionamento da unidade antes de sair de casa: a adesão varia de agência para agência e muda a cada dia de paralisação.

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