Zoológico, Ceasa e área de entulho podem atrair aves para o aeroporto de Brasília, diz relatório do Cenipa
Documento da FAB, revisado em outubro, cita 52 colisões com aves no 1º semestre de 2026, segundo o Metrópoles
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Zoológico de Brasília, Unidade de Recebimento de Entulho (URE) e Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) estão entre as áreas que podem atrair aves para o entorno do Aeroporto Internacional de Brasília, segundo um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira. O conteúdo do documento foi divulgado nesta segunda-feira, 2, pelo Metrópoles, que o descreve como revisado em outubro. O Distrito News não teve acesso ao texto integral.
Os três pontos ficam dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA), um raio de 20 quilômetros a partir do centro da maior pista, onde o uso do solo sofre restrições para evitar atividades que atraiam animais. Entre eles, o relatório destaca o Zoológico pela capacidade de atrair espécies que oferecem risco à aviação, conforme a reportagem.
Os números do aeroporto
De acordo com o Metrópoles, o Cenipa registrou 52 colisões com aves no Aeroporto de Brasília no primeiro semestre de 2026, seis delas com danos a aeronaves, em 25.639 decolagens. O terminal aparece na 2ª posição entre os aeroportos brasileiros com mais ocorrências e na 6ª em registros com danos.
Em 2025, as colisões subiram de 108 para 147 (alta de 36%) e as ocorrências com danos passaram de 8 para 18. Na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, a taxa de colisões por 10 mil ciclos de operação caiu 29%, e a de ocorrências com danos, 50%. No país, foram 989 colisões em voos regulares de passageiros no primeiro semestre, 14% com danos.
A lei que falta regulamentar
A Lei 12.725/2012 proíbe ou condiciona, nas áreas ao redor de aeroportos, atividades que atraem fauna. Segundo o relatório, a fiscalização, a avaliação de risco e a apuração de infrações dependem de um decreto que ainda não saiu. As discussões começaram em 2013, e a minuta aguardava assinatura do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A concessionária Inframerica, que administra o aeroporto, só pode fazer ações educativas fora dos limites do terreno aeroportuário. As intervenções nos pontos apontados cabem às autoridades públicas responsáveis. No relatório, a empresa informa que faz monitoramento e controle de fauna, com 893 ações de afugentamento no semestre, o equivalente a 3.364 minutos de monitoramento, usando veículos, sirenes, buzinas e cães de trabalho. Procurada pelo Metrópoles, a Inframerica não comentou o relatório.
O caso de 29 de julho
O Metrópoles associa a revisão do documento à colisão de um avião da Latam com aves na decolagem em Brasília, em 29 de julho. Na ocasião, o voo LA3776, com destino a Salvador, voltou ao aeroporto de origem e foi cancelado. A Latam informou, em nota, que o pouso ocorreu em segurança. A Inframerica disse que houve derramamento de combustível em uma das pistas, interditada por cerca de 20 minutos enquanto a outra seguia em operação, conforme o Correio da Manhã.
O Zoológico e a Ceasa-DF não aparecem com posição na reportagem original. Os dados acima são os divulgados pelo Metrópoles; o relatório do Cenipa não foi localizado no site do órgão até a publicação. Sobre o equipamento citado, o Distrito News já publicou a programação dos 66 anos do Zoológico de Brasília; e, no Entorno, o aeroporto regional de Águas Lindas também está em projeto.