Economia

Dólar fecha a R$ 5,446 e sobe 9,15% na semana; Ibovespa tem a pior queda semanal desde 2020

Dólar fechou a R$ 5,446, maior valor de 2026, e o Ibovespa recuou a 167.921 pontos. Veja o que pesou na semana pós-eleição.

Neste texto3 tópicos
  1. Quanto a Bolsa e o dólar acumulam
  2. O que pesou nos preços
  3. O que isso muda para o bolso no DF

O dólar comercial fechou a sexta-feira (30) em alta de 1,09%, a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026. Na semana, a moeda subiu 9,15%, a maior valorização semanal desde outubro de 2008, segundo a Agência Brasil. O Ibovespa recuou 0,75%, para 167.921,80 pontos.

Quanto a Bolsa e o dólar acumulam

A semana começou com o primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na segunda-feira (26), quando a queda do Ibovespa acionou o circuit breaker, o mecanismo que interrompe as negociações. Desde então, os números ficaram assim:

  • Dólar: R$ 5,446 no fechamento, com máxima de R$ 5,463 por volta das 16h; alta de 9,15% na semana, 5,27% em outubro e 0,81% no ano.
  • Ibovespa: 167.921,80 pontos, quinto pregão seguido de baixa; queda de 18,12% na semana, a maior desde março de 2020, quando o índice recuou 18,88%.
  • Outubro: o Ibovespa perdeu 9,88%, o pior mês desde junho de 2022, quando a queda foi de 11,5%.

Dados da B3 apontam saída líquida de quase R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.

O que pesou nos preços

A Agência Brasil enumera quatro fatores. O primeiro é o ajuste do mercado ao resultado do segundo turno. O segundo é a incerteza sobre a política fiscal brasileira, com os investidores esperando a definição da equipe econômica do próximo governo e de medidas para as contas públicas.

O terceiro veio de fora: ações de empresas de tecnologia e de inteligência artificial caíram nos Estados Unidos, e o índice S&P 500 fechou a sexta com perda de 1,82%. O dólar voltou a subir diante das moedas de países emergentes. O índice DXY, que compara a moeda americana a seis divisas fortes, estava em 101,890 pontos às 17h31.

O quarto fator foi a busca por proteção cambial antes do fim de semana prolongado. A segunda-feira (2) é feriado de Finados. Parte da oscilação da manhã também ligou-se à formação da Ptax de fim de mês, a taxa que o Banco Central calcula e que serve de referência para liquidar contratos de câmbio.

O que isso muda para o bolso no DF

Para quem viaja ou compra em dólar, a cotação comercial é só a referência: casas de câmbio e cartões aplicam spread e taxas próprias, e o R$ 5,446 vale para o mercado, não para o balcão.

Na segunda-feira (26), o DistritoNews registrou o dólar a R$ 5,60 no pior momento do dia. O fechamento de sexta ficou abaixo dessa máxima, mas acima de qualquer fechamento do ano até aqui. O Banco Central divulga a Ptax diariamente em sua página de cotações, e o Copom volta a se reunir na próxima semana, com decisão na quarta-feira (4). A situação das contas públicas aparece no dado da dívida bruta de setembro, que chegou a 82,93% do PIB.