Política

Flávio pede a Fachin que Moraes saia do inquérito de Willer Tomaz e que Mendonça assuma

Três petições chegaram ao presidente do STF; defesa cita voos em jatos ligados a Vorcaro e pede revogar cautelares

Neste texto3 tópicos
  1. Os três pedidos
  2. O argumento do jatinho
  3. Por que Mendonça

Três petições dos advogados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegaram à presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (30) com um objetivo: tirar o ministro Alexandre de Moraes do inquérito que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz. A defesa quer o ministro André Mendonça como relator. A informação é da Folhapress, publicada pelo Jornal de Brasília.

O destinatário é o presidente da Corte, Edson Fachin, a quem cabe analisar o pedido de impedimento. A reportagem não informa data para a decisão.

Os três pedidos

  1. Declarar Moraes impedido de relatar o inquérito.
  2. Redistribuir o caso a Mendonça, sob o argumento de que a investigação deriva do inquérito do INSS, que ele relata.
  3. Revogar as cautelares: passaportes cancelados, entrega do passaporte italiano e proibição de contato entre Flávio e Willer.

O argumento do jatinho

A defesa sustenta que Moraes usou o mesmo avião que a Polícia Federal descreve como elo entre Flávio e Willer. A PF mapeou um voo de janeiro de 2025 de Fort Lauderdale a Brasília no jato Legacy 650, prefixo PP-NLR, da Fraction 024. A empresa tinha três sócios em partes iguais: Willer, Laércio Cosentino, fundador da Totvs, e a Prime You, que entrou no fim de 2024. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025.

Moraes e a mulher, Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele de maio a outubro de 2025, segundo a Folhapress. Viviane foi contratada pelo Master por R$ 130 milhões. A PF afirma que Vorcaro negociou ceder cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório dela.

Por que Mendonça

O inquérito sobre Flávio foi aberto com informações de Willer obtidas na investigação das fraudes no INSS. Como Mendonça relata esse caso, os advogados argumentam, com base no regimento interno do STF, que o derivado deveria ficar com ele. O ministro foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro (PL), e Moraes é visto pelo bolsonarismo como adversário, registra a Folhapress. Interlocutores do senador citam a sensação de perseguição como um dos motivos da saída dele do país.

Foi nesse inquérito que Moraes autorizou, a pedido da PF, o cancelamento dos passaportes após a derrota de Flávio para Lula (PT) no segundo turno, em 25 de outubro. O senador não entregou os documentos e foi aos Estados Unidos pela fronteira com a Argentina. O DistritoNews acompanhou a devolução da relatoria do caso INSS a Mendonça e o bloqueio de até R$ 6 bilhões ordenado contra Willer.

O gabinete de Moraes não aparece na reportagem com resposta ao pedido. O andamento do inquérito é público apenas nas partes não sigilosas, no portal do STF.