Política

Jato de Flávio Bolsonaro foi providenciado por assessor da Casa Branca, diz NYT; EUA não confirmam

Jornal americano descreve trajeto por Argentina e Equador até Miami; Departamento de Estado e Segurança Interna só falam em procedimento migratório

Neste texto3 tópicos
  1. O trajeto descrito pelo jornal
  2. O que os Estados Unidos já declararam
  3. O que falta esclarecer

O jato que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a família de Puerto Iguazú, na Argentina, a Miami foi providenciado por Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, segundo o jornal The New York Times. A reportagem saiu na quinta-feira, 29, e cita uma pessoa a par da logística da viagem. Miller se recusou a comentar, e a Casa Branca remeteu as perguntas a ele ou às declarações públicas do presidente Donald Trump.

A informação foi reproduzida por CNN Brasil e Terra, que atribuem os detalhes ao jornal americano. Nenhum órgão do governo dos Estados Unidos confirmou o papel de Miller.

O trajeto descrito pelo jornal

De acordo com a fonte do NYT, o senador viajou na noite de terça-feira, 27, da Argentina ao Equador, onde a aeronave foi reabastecida, e de lá a Miami. Ele desembarcou na manhã de quarta, 28. O irmão dele, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, manteve contato com Miller, e o plano "foi colocado em prática na segunda-feira", depois que Flávio recebeu a ordem de entregar os passaportes, segundo a mesma fonte.

A ordem partiu do Supremo Tribunal Federal, poucos dias depois da derrota do senador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em 25 de outubro com 64,2 milhões de votos contra 59,8 milhões. A defesa de Flávio nega que tenha havido fuga.

O Jornal de Brasília lembra que, pela análise do NYT de um registro público do governo americano, o senador teria apresentado na chegada um passaporte diplomático brasileiro cancelado. O número do documento citado na base, diz o jornal, está ligado ao passaporte diplomático dele.

O que os Estados Unidos já declararam

As manifestações oficiais até aqui são genéricas:

  • o Departamento de Segurança Interna disse que a família foi recebida e inspecionada pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras, conforme a legislação migratória, e liberada depois;
  • o Departamento de Estado afirmou, por um porta-voz, que Flávio receberia vistos para entrar no país;
  • Trump confirmou na quarta que os EUA permitiram a entrada, falou em um "passe", e disse que não vai se envolver: "Foi uma eleição muito estranha";
  • o secretário de Estado, Marco Rubio, negou ter ajudado na saída do senador, de acordo com o Fantástico.

Na prática, a família recebeu uma autorização condicional de permanência, o chamado parole, concedida em casos de urgência humanitária e outras situações específicas. Ela vale por até um ano, o que permite ficar no país pelo menos até outubro de 2027. Conforme o NYT, Flávio deve pedir um green card em algum momento, e, segundo a fonte do jornal, o pedido seria processado com rapidez, como ocorreu com Eduardo, que obteve o documento em julho.

Trump já fez acusações sem apresentar provas de fraude na eleição brasileira. Autoridades do Brasil e de outros países, e especialistas de órgãos independentes, atestaram a lisura da votação.

O que falta esclarecer

Ainda não há resposta pública de Miller nem da Casa Branca sobre quem contratou o avião e quem pagou. O Fantástico, que foi ao ar no domingo, 1º, informa que a viagem custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário americano, em voo operado pela empresa argentina Baires Fly. A empresa não respondeu à reportagem.

No lado brasileiro, o Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina, como o DistritoNews mostrou na convocação da encarregada de negócios argentina. O irmão do senador também aparece na história: veja a cobertura sobre Eduardo Bolsonaro e o green card nos Estados Unidos. Na Argentina, a Justiça mandou preservar imagens de segurança do aeroporto e da fronteira de Puerto Iguazú, segundo o Fantástico. Falta saber se Miller ou a Casa Branca vão responder sobre o contrato do avião.